quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Com Copa 2014, clubes podem faturar mais de R$ 500 milhões

Estimativa leva em conta venda de ingressos e oferta de serviços aos torcedores; "naming right" deve impulsionar faturamento

A receita dos clubes de futebol brasileiros pode chegar a R$ 520 milhões em 2014. A estimativa é da Crowe Horwath RCS, empresa de auditoria e consultoria, com base nos R$ 250 milhões faturados no ano passado.

O cálculo leva em consideração a receita com a venda de ingressos nos dias de jogos, a melhoria do ambiente de negócios no setor proporcionada pela reforma e construção de novos estádios até a Copa de 2014, o que levará a novas ações de serviços para os torcedores.

Amir Somoggi, diretor da área de gestão esportiva da empresa, lembra que os R$ 250 milhões usados como base levam em consideração apenas a venda de ingressos.

“Só com bilheteria, esse faturamento deve subir para R$ 430 milhões, mas a tendência é os clubes dependerem não só da venda de ingressos, mas de outros fatores. Os clubes têm que diversificar as fontes de receita”, afirma.

Foto: Getty Images

Allianz Arena, em Munique, que tem contrato de 15 anos por US$ 115 milhões

Esses novos serviços, como locação do estádio para eventos, consumo nos bares, camarotes, lojas e restaurantes podem responder por 30% do faturamento. “Pensar em faturar apenas com a venda de ingressos é muito arcaico em relação ao que é feito no mundo hoje”, defende.

Somoggi afirma, inclusive, que seus cálculos são conservadores. Ele diz ter aplicado nas projeções uma taxa menor de crescimento que os 20% registrados pelos clubes brasileiros de 2003 a 2009, quando o faturamento total saltou de R$ 56 milhões para R$ 250 milhões.

Novos recursos

Um dos fatores que podem gerar novos recursos para os estádios é a introdução dos “naming rights”, traduzido grosso modo como o direito de usar a marca como o nome do estádio. “Essa é uma receita estratégica, extremamente valiosa para quem constrói um estádio novo”, avalia. No Brasil, já houve uma experiência com o Atlético Paranaense, que cedeu o uso de seu nome para a fabricante de celulares Kyocera. O contrato, no entanto, não foi renovado após um período inicial. Outra iniciativa está sendo planejada pelo Corinthians, para a construção da nova arena na Zona Leste de São Paulo.

“O prazo em um contrato de naming rights é longo. O valor pode até ser menor que a receita da venda de patrocínio nas camisas em um ano, por exemplo. Mas é uma receita garantida por um prazo longo, que pode contribuir para a construção de um estádio novo ou para abatimento de dívidas”, afirma Somoggi. “Sem contar que o clube pode securitizar essa receita.”

Foto: Getty Images

Estádio do Mets lotado: contrato de US$ 400 milhões com o Citigroup

O executivo conta que os melhores casos de sucesso em acordos de naming rights estão na Alemanha. “Há vários exemplos bem-sucedidos em estádios menores”, diz. Um dos mais marcantes é o Allianz Arena, em Munique, cujo contrato com a companhia de seguros foi de US$ 115 milhões por um período de 15 anos.

Outro exemplo é o contrato do Arsenal com a companhia aérea dos Emirados Árabes para o Emirates Stadium. Esse contrato somou US$ 178 milhões pelo prazo de 15 anos para o naming rights e sete pelo patrocínio oficial ao britânico Arsenal.

Segundo Amir Somoggi, é possível que os clubes menores também acertem contratos de patrocínio com valores mais baixos, de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões anuais, enquanto outros podem render entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. “Vamos ter contratos com arenas maiores e menores, de Manaus a São Paulo”, diz ele.

De acordo com informações da Crowe Horwath, o mercado de naming rights supera US$ 4 bilhões no mundo, sendo 70% desse total no mercado norte americano.

Os maiores contratos nos EUA foram fechados entre o time de beisebol New York Mets com o Citigroup, por 20 anos, no valor de US$ 400 milhões; e o fechado entre o banco Barclays e o time de basquete New Jersey Nets, também por 20 anos e no valor de US$ 400 milhões.

Fonte: Nelson Rocco, iG São Paulo | 21/10/10

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