terça-feira, 26 de outubro de 2010

Olimpíada vai valorizar o metro quadrado mais caro do País

No Rio, praia, comércio e vida noturna fazem do Leblon o bairro mais cobiçado; um metro quadrado dá para comprar um carro popular

Cenário de novelas globais do autor Manoel Carlos, o bairro do Leblon, na zona sul do Rio, é definido por analistas do mercado imobiliário como um “estilo de vida”. A área está localizada em uma região com praia, possui uma vasta opção de comércio, vida noturna e não tem espaço para novas construções.

Essas características fazem com que o bairro tenha o metro quadrado mais caro do Rio: cerca de R$ 16 mil, em média. O preço alto, no entanto, não parece ser um empecilho aos interessados. Imóveis postos à venda no Leblon são comercializados rapidamente.

“Apartamentos de dois quartos, por terem um valor menor, têm maior liquidez, a velocidade de venda é mais acelerada. Mas nos imóveis mais caros a rapidez também é impressionante.

O bairro possui ainda algumas preciosidades, aqueles imóveis que são difíceis de serem encontrados e que quando aparecem são vendidos rapidamente. Para esses, geralmente, há até fila de espera”, diz o vice-presidente de assuntos condominiais do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio), Leonardo Schneider.

Com poucos terrenos disponíveis nos bairros nobres do Rio de Janeiro, os lançamentos são raros. Quem quiser morar nas localidades mais cobiçadas tem duas opções. A primeira é comprar apartamentos antigos e reformá-los.

Nas avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira, que beiram as praias de Ipanema e Leblon, o preço chega a superar R$ 25 mil o metro quadrado, segundo corretores locais, preço que equivale ao de um carro popular.

Outra saída são os apartamentos erguidos em terrenos de demolição. Essa modalidade tem sido muito comum, conta Frederico Judice, sócio da imobiliária Judice&Araujo, especializada em alto luxo na capital carioca.

“Fechamos um grupo de investidores ou moradores, que contratam uma construtora para fazer o estudo da área e depois realizar a obra.” Juntos, os interessados compram o terreno e dividem todos os custos da construção.

“Nesse exato momento, os preços chegaram a um nível que já não tem espaço para margem de lucro, e continua havendo a procura”, diz o empresário carioca.

Foto: Divulgação

Edifício Saint-Barth, na Barra: imóveis da região tiveram valorização com aumento da segurança


Reflexo da economia

O cenário imobiliário no Leblon reflete o mercado aquecido no Rio. Além das boas perspectivas para a economia, investimentos governamentais na área de segurança e de infraestrutura tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, impulsionam uma valorização geral nos imóveis cariocas e na corrida por eles.

“A área da Tijuca se destaca nesse cenário por causa das UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora]". afirma Schneider. A procura por essa área não era grande, mas, com a pacificação das favelas, isso mudou, segundo ele.

A média de valorização na região foi de 60% nos últimos meses. No centro do Rio, o projeto do Porto Maravilha [onde ficarão instalações do Comitê Olímpico Internacional para a Olimpíada] influenciou na valorização. Na Praça Mauá, a procura por imóveis já é grande e outros tantos querem vender.

Bairros tradicionais, como Ipanema, Lagoa e Jardim Botânico, têm sofrido aumento nos preços de seus metros quadrados, atingindo R$ 16 mil, R$ 11 mil e R$ 7 mil, respectivamente.

Expansão da oferta

O mercado imobiliário carioca é reforçado com lançamentos de novas unidades em algumas áreas da cidade. De acordo com um levantamento feito pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), de janeiro a maio de 2010, foram lançadas 3.683 unidades residenciais na cidade do Rio.

Destas, o bairro da Vila da Penha, na zona norte, foi o que concentrou o maior número, com 780 novas unidades. Barra da Tijuca, com 610, e Jacarepaguá, com 601, completam o Top 3.

Na zona sul, o único bairro a receber lançamentos foi o Botafogo, com 183 unidades.

Fonte: Anderson Dezan e Olívia Alonso, iG | 26/10/10

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