terça-feira, 30 de novembro de 2010

Após bolha imobiliária, americanos investem em microcasas

Com medo de se endividar, as pessoas investem em residências de até 27 metros quadrados que custam a partir de R$ 34 mil

Depois do estouro da bolha imobiliário norte-americano, um nicho de mercado parece prosperar. Para economizar dinheiro e simplificar suas vidas, um número cada vez maior de pessoas está comprando ou construindo microcasas.

São residências com até 27 metros quadrados e que cabem na sala de estar de um imóvel convencional. Seu preço? A partir de R$ 34 mil.

Shafer na varanda da sua micro casa: cinco vezes mais projetos
Foto: AP

Shafer na varanda da sua micro casa: cinco vezes mais projetos

Algumas pessoas colocam essas pequenas casas no quintal para usar como escritório, estúdio ou quartos extra. Outros usam como uma casa de férias com rodas, que pode ser levada para acampamentos. Mas os mais intrépidos vivem nessas casas em período integral, reduzindo a quantidade de pertences e vivendo de forma pouco convencional.

“Não é muito norte-americano porque viver num lugar pequeno significa consumir menos”, disse Jay Shafer, 46, co-fundador da Sociedade das Casas Pequenas. “Viver numa micro casa como essa faz com que você escolha o que é preciso para ser feliz e se livre de todo o resto”.

Autor de “Livro da Casa Pequena”, Shafer construiu uma casa de 27 metros quadrados há uma década e viveu nela em período integral até o nascimento do seu filho, no ano passado.
Dentro de um espaço que tem o tamanho de uma Kombi, ele tem uma cozinha com forno a gás e pia, banheiro com chuveiro, varanda para duas pessoas, quarto com mezanino e uma sala “enorme” onde ele pode trabalhar e receber visitas – desde que não convide mais do que duas pessoas. Hoje Shafer vive com sua família em uma casa com 152 metros quadrados ao lado da micro casa.

Dono da Tumbleweed Tiny House Company, Shafer desenha e constrói casas miniatura com um estilo minimalista que dá preferência para a qualidade em detrimento da quantidade e faz com que cada centímetro quadrado da residência seja aproveitado. As casas, que oferecem um pacote de amenidades em espaços menores do que o closet de algumas pessoas, são vendidas por até R$ 86 mil. Quem quiser construir suas própria micro casa paga metade desse valor.

O negócio da empresa cresceu desde o começo da crise. Hoje ele vende algo em torno de 50 projetos de micro casas ao ano, número cinco vezes maior do que em 2005. Cada projeto pode custar até R$ 1,7 mil.

Os oito workshops que ele organiza ao longo do ano nos Estados Unidos atraem, em média, 40 participantes. “Os motivos que levam as pessoas a viver em casas desse tamanho variam muito”, afirmou Shafer. “Mas muitas delas não querem usar mais recursos ou emitir mais poluentes do que precisam”.

Foto: AP

Marshall dentro de um de seus imóveis pequenos: 20 vendas em 2011

Comparado com trailers, essas pequenas casas são construídas com material de melhor qualidade, mais iluminação e um design que salta aos olhos. Mas elas também são equipadas com rodas, que faz com que sejam portáteis

Desde o início da crise no mercado norte-americano de imóveis, o interesse em micro casas aumentos muito – especialmente entre os mais jovens e aqueles que estão se aposentando.

“Nos últimos dois anos a ideia realmente decolou”, disse Kent Griswold, dono de um blog sobre o mercado de micro casas que atrai até sete mil visitantes ao mês. “As pessoas não querem ficar presas a um grande financiamento para ter suas próprias casas”.

A cidade de Sonoma, no norte da Califórnia, é uma espécie de Meca da indústria das micro casas. Stephen Marshall, 63, trabalhou como empreiteiro durante 30 anos até que seu negócio foi afetado pela crise.

Foi quando ele entrou no mercado de casas pequenas. Sua empresa constrói e vende pequenas casas que são vendidas por preços a partir de R$ 34 mil. Desde janeiro, Marshall já vendeu 16 unidades e espera que esse número aumente quase 30% no ano que vem.

“O negócio está crescendo na medida em que as pessoas conhecem essa possibilidade”, afirmou Marshall. “Muitas famílias estão mudando para uma casa e os jovens não têm dinheiro para sair de casa.

Existe uma pressão econômica muito grande para encontrar uma alternativa para as necessidades que as pessoas têm em relação à moradia”.

Fonte: AP | 30/11/10

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