segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Amway reinaugura loja do Recife e anuncia investimentos de US$ 150 milhões no Brasil

Empresa de vendas diretas chegou ao país em 1991, perdeu mercado e agora pretende elevar número de empreendedores que desejam ter negócio próprio

Por: Augusto Freitas



Loja no Recife, em Boa Viagem, foi repaginada, incluindo o espaço para treinamentos. Foto: Augusto Freitas/DP

Vinte e cinco anos depois de chegar ao Brasil com a promessa de se tornar um negócio vantajoso no formato de vendas diretas, a norte-americana Amway pretende mostrar a força dos anos 1990 no mercado e está disposta a elevar sua participação no setor. Para isso, anunciou investimentos de US$ 150 milhões no país com a expansão de lojas, fábrica e na fazenda de acerola orgânica em Ubajara (CE), a maior área de produção orgânica da fruta no mundo, segundo a empresa. A Fazenda Nutrilite produz 7 mil toneladas de acerola orgânica por ano, sendo 70% desse volume em pó concentrado.

A loja do Recife, a única base de distribuição na Região Nordeste, foi reinaugurada na manhã desta segunda-feira, apostando no crescimento econômico da capital pernambucana e do estado, mesmo diante de uma crise na economia nacional cuja inflação atinge os dois dígitos e corrói o salário dos trabalhadores. A unidade de Boa Viagem foi reformada, mas não parou o atendimento ao público.

De acordo com o presidente da Amway no Brasil, Odmar Almeida, o Recife é um dos maiores mercados da companhia no país, com participação de 5% nas vendas, e tem posição estratégica em função da logística de distribuição dos produtos, em um raio de até 35 quilômetros. Além disso, Almeida destaca que o mercado brasileiro cresceu consideravelmente entre os anos de 2013 e 2016, passando de uma média de 40 mil distribuidores para 80 mil.



Crescimento surpreendende

“Neste período, o Recife cresceu duas vezes e meio a mais do que prevíamos, com a melhora da operação, treinamento, variedade de produtos e estoque. A meta é abrir mais 30 lojas no Brasil até 2019 e a previsão de faturamento é atingir de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões nos próximos dez anos”, explica Odmar. Além de Pernambuco, a Amway no Brasil conta com unidades nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, gerando mais de 600 empregos diretos.

Almeida destaca, ainda, que a empresa vem fazendo projeções de crescimento menos otimistas do que efetivamente está se verificando, tanto em termos de faturamento quanto de número de empreendedores, uma vez que a elevação tem sido constante desde 2013. “Em Pernambuco, temos entre 5 mil e 6 mil distribuidores e estamos crescendo, em média, mais de 50% ao ano deste período para cá em todo o Brasil. Essa projeção anual também está sendo estudada para ocorrer até 2019, 2020. Se a economia voltar a crescer, penso que teremos um efeito semelhante”, ressalta.


Fernando Agripino largou a engenharia mecânica para se dedicar integralmente às vendas diretas pela Amway. Foto: Augusto Freitas/DP

O modelo de trabalho, no entanto, permanece semelhante ao adotado quando a companhia aportou no Brasil, em 1991, porém com uma nova metodologia: a venda direta de produtos de cinco linhas (cuidados pessoais, produtos do lar, saúde, saúde bucal e perfumaria) por meio de pessoas que desejam empreender. Caso do engenheiro mecânico Fernando Agripino, 50, desde 2014 fazendo parte da equipe Amway no Recife. O engenheiro conta que trabalha com cerca de 3 mil clientes em dez estado das regiões Nordeste e Norte.

“As dificuldades do mercado profissional aliadas à questão da aposentadoria fizeram com que eu buscasse ter meu próprio negócio, empreendendo com liberdade de horário, renda diferenciada e mais qualidade de vida, além de negociar produtos totalmente sustentáveis”, pontua Agripino. Para ele, um dos diferenciais da Amway é justamente a forma como se aprende a empreender. “São treinamentos que preparam para o mercado de forma que podemos ter autoconfiança e segurança em vender produtos de qualidade diante de um setor concorrido”, reforçou.

Quase ostracismo


Com a repaginada na expansão de novas lojas e os investimentos anunciados, a Amway pretende deixar para trás o tempo em que se encontrou no limbo do mercado de vendas diretas no Brasil, no fim dos anos 1990. A empresa, no entanto, reforça que nunca parou de atuar em terras brasileiras, mas o hiato ocorreu devido ao crescimento do mercado asiático, principalmente da China e da Indonésia, que passaram a engolir os demais concorrentes.

“Naquela época, o mercado asiático era mais interessante por que estava em ascensão, mas a Amway nunca encerrou suas atividades no Brasil. O que ocorreu foi uma parada nos investimentos para atuar em mercados mais emergentes e sólidos. Dos cinco maiores negócios da empresa no mundo, hoje, quatro estão situados na Ásia. Mas o Brasil tem um amplo potencial de crescimento e vamos em busca de recuperar e aumentar nossa fatia no segmento de vendas diretas”, disse Almeida.



Odmar Almeida ressaltou que a atuação da Amway em nada se assemelha às "pirâmides financeiras" e garantiu a validade do modelo marketing multinível. Foto: Amway do Brasil/Divulgação


Longe das pirâmides

Apesar de ser uma empresa tipicamente de marketing multinível (MMN), o presidente da companhia no Brasil destaca que a Amway nada tem em comum com as chamadas “pirâmides financeiras”, como TelexFree, proibidas de atuar pela Justiça brasileira por serem consideradas organizações que lesam os consumidores através do recrutamento de pessoas disfarçadas na modalidade de MMN. “Nossa atuação em nada se assemelha a estas empresas investigadas pela Justiça. Fazemos parte da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) e atuamos monitorando todos os distribuidores através de medidas que não permitem fraudes”, esclarece Almeida.

Quais as razões, neste caso, para que Amway voltasse a investir pesado em terras brasileiras? De acordo com o presidente da companhia no Brasil, pesquisas de mercado com metodologias de avaliar o potencial empreendedor, realizadas em vários países, justificam a retomada de recursos no Brasil. De acordo com Odmar Almeida, a taxa de pessoas que desejam empreender no mundo atingiu uma média de 40%, inferior à do Brasil, de 60%.

“Atuamos em 40 mercados em todo o mundo e no ranking interno o Brasil está entre os cinco maiores, segundo as pesquisas de mercado realizadas. É muito grande o percentual de pessoas que desejam empreender e ter seu próprio negócio. Nossa plataforma de e-commerce também é bastante consolidada, o que facilita a prospecção de novos negócios. São mais de 100 produtos vendidos e, somente no ramo de vitaminas da marca Nutrilite, fabricamos cerca de 15 bilhões de comprimidos no mundo por ano, fruto do processamento da acerola orgânica. Exportamos ingredientes para cerca de 100 países”, disse Almeida.

Atuação


A permissão para se tornar um distribuidor da Amway, porém, não mudou com o passar dos anos. Para fazer parte da companhia, o interessado, segundo Odmar, paga uma espécie de taxa de adesão de R$ 59, equivalente a compra de produtos, e precisa ser indicado como potencial empreendedor por alguém que já é um filiado cadastrado. Depois, vem uma série de treinamentos para se tornar um empreendedor e tentar subir na escala de níveis.

Os estágios passam por Platina, cujas vendas anuais devem atingir ao menos R$ 800 mil, até Diamante, com faturamento de até R,3 milhão por ano, segundo a empresa. Entre esses, há ainda as categorias Rubi e Esmeralda, cujos valores não foram informados. No Grande Recife, segundo a presidência no Brasil, há cerca de 20 filiados qualificados como Platina, mas até março de 2017 ao menos dois Diamantes serão graduados. 


Diario PE

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