sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Empresários do comércio e serviços discutem estratégias para 2016

Cobrar redução da carga tributária e controle da inflação são alguns dos pontos levantados pela categoria

Qualificação de novos empreendedores é fundamental para não afundar ainda mais a economia  / Foto: Agência Rodrigo Moreira/Divulgação

Qualificação de novos empreendedores é fundamental para não afundar ainda mais a economia

Foto: Agência Rodrigo Moreira/Divulgação

Unir esforços contra o crescimento da carga tributária, cobrar maior controle da inflação e lutar pela realização de reformas tributária e previdenciária, além de investir em capacitação e otimização de processos são as estratégias dos empresários dos setores de comércio e serviços para sair de 2016 no azul. 

Os cenários econômicos para este ano foram discutidos ontem (25) às 10h no Sesc Santo Amaro, em seminário da Federação do Comércio de Bens e Serviços de Pernambuco (Fecomercio-PE).

Durante o evento, foram debatidos os quadros de desemprego, que já acumula o fechamento de 9,1 milhão de vagas em todo o país (Pernambuco perdeu quase 90 mil postos em 2015, principalmente na indústria e na construção civil), acúmulo de inflação, calculada em 14,25%, inadimplência e endividamento das famílias e de que forma a categoria empresarial pode contornar a situação. 

“70% do Produto Interno Bruto do país vem do consumo. É preciso recuperar o curso da economia para garantir o desenvolvimento”, refletiu o economista da Consultoria Econômica e Planejamento (Ceplan) Jorge Jatobá. 

Ainda de acordo com Jorge, é imprescindível discutir a questão fiscal, já que a elevação da taxa de juros faz com que o Brasil pague pela dívida pública um valor muito maior do que deveria, o correspondente a 9% do PIB, e deixe de investir em outras áreas prioritárias, como a de infraestrutura e no melhoramento do ambiente de negócios. 

Jatobá também acredita que seria de grande ajuda para a indústria se o Estado se abrisse mais a parcerias com a iniciativa privada, seja através de concessões ou de parcerias público-privadas (PPPs). 

Para o varejo, a queda nacional acumulada em 2015 foi de 6,9%.  Pernambuco saiu ainda mais prejudicado, com perdas de 10,9%. “Sofremos com o fim do ciclo de numerosos projetos de desenvolvimento e com o impacto da operação lava-jato na refinaria, que teve desdobramentos na indústria naval e na petroquímica”, disse a também economista do Ceplan Tania Barcelar. 

Os dois únicos setores que não sofreram foram os de farmácia e perfumaria e beleza. "Eles souberam diversificar seu mix de produtos e manter um faturamento positivo", completa Tânia. 


Capacitar a micro e a pequena empresa é outro grande desafio para 2016. De acordo com a pesquisa mundial de empreendedorismo GEN 2015, caiu o número de empresários que abrem um negócio por vocação e oportunidade (apenas 56%, contra 79% no ano anterior).

"Muitas vezes, o que acontece é que as pessoas abrem a empresa motivadas pelo desemprego e não conseguem exercer a tarefa com qualidade. Não têm capacitação para empreender, realizar um plano de gestão empresarial ou fazer pesquisa de mercado e acabam se descapitalizando", afirma o Diretor Superintendente do Sebrae em Pernambuco Oswaldo Ramos. 

JC Online

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