segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sem manutenção e vandalismo da população, Parque Dona Lindu pede socorro

Banheiros quebrados, jardins esturricados, placas danificadas e falta de ar-condicionado depõem contra o famoso espaço

O cartão de visitas envergonha, pois sequer é possível ler o nome Dona Lindu nas placas porque faltam letras / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

O cartão de visitas envergonha, pois sequer é possível ler o nome Dona Lindu nas placas porque faltam letras

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Raíssa Ebrahim

Basta uma rápida visita ao Parque Dona Lindu, na beira-mar de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, para constatar a falta de manutenção do equipamento, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) e inaugurado em 2011. O local acumula uma extensa lista de problemas: nos banheiros, parte das cabines está fechada. O mictório, quebrado.Na ala feminina, não há água nas torneiras. Na masculina, das seis luzes, apenas uma funciona. Na área externa, os bocais estão sem lâmpada. 

A lista continua: a sinalização do parque praticamente não existe mais. É difícil encontrar os dizeres inteiros para se guiar pelo local. O cartão de visitas envergonha, pois sequer é possível ler o nome Dona Lindu nas placas porque faltam letras. Os jardins estão descuidados, as palmeiras secas e vários vasos quebraram. O chão está rachando. 

Na Galeria Janete Costa, o ar-condicionado está quebrado desde novembro último e o banheiro feminino foi fechado devido a um vazamento. O chão está inundado e a parede molhada. A internet não funciona há meses. Inicialmente orçada em R$ 18 milhões, a obra custou R$ 37 milhões e levou três anos para ser concluída. É a prova de um problema maior: a falta de manutenção dos equipamentos culturais e de lazer da cidade. O parque não dispõe de orçamento anual.

Por causa da falta de ar-condicionado, a Galeria Janete Costa não mais abrigará a mostra do 5º Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, um dos mais tradicionais do País. A exibição agora será no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), na Rua da Aurora, área central da capital.

“Estava tudo fechado, mas, quando o curador da mostra, Marcos Lontra, veio com o montador, no início do ano, deparou-se com essa situação”, diz a gestora da galeria e doutora em história, Joana D’Arc Lima, que está deixando o cargo por motivos pessoais.
“Atualmente não há rigor técnico para a galeria sediar uma mostra dessa”, lamenta. Por causa do calor, é impossível trabalhar na sala de administração do espaço. Joana enfatiza que o local tem uma característica única: está vinculado a um parque e, por isso, atrai público de todas as classes sociais e de diversos repertórios culturais. 

As obras da atual exposição, 21 Anos Sem Zé de Barros, precisam quase que diariamente ser recoladas. O calor danifica as fitas que sustentam o acervo. “Não é questão de luxo, é de cuidado. Estamos falando de matéria orgânica, de papel, de madeira, que se ressentem com a oscilação de umidade”, frisa a gestora.

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O Parque Dona Lindu, localizado à beira-mar de Boa Viagem, pede socorro

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Questionada, a Secretaria Municipal de Cultura defende que o Núcleo de Manutenção dos Equipamentos Culturais foi criado para otimizar a manutenção e o acompanhamento técnico dos equipamentos da cidade. O órgão informou que o sistema de ar-condicionado da galeria e do Teatro Luiz Mendonça passarão por reparos em março e abril. Na Janete Costa, o problema foi consequência de um ato de vandalismo na tubulação externa, segundo a pasta.

Enquanto são feitos os reparos emergenciais, a Secult garante que será elaborado um plano de requalificação de todo o sistema e que está em fase de elaboração um plano de requalificação de toda área externa e da atualização do modelo de gestão, segurança e manutenção.

Além disso, afirma que haverá renovação ou substituição das empresas que prestam serviço de manutenção. Já a Secretaria de Turismo e Lazer informou que o projeto para requalificação das duas placas do monumento está pronto e deve ser executado em breve.

NE10

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