quinta-feira, 17 de março de 2016

Casa da Cultura ainda espera por recuperação



De Casa de Detenção a equipamento cultural capaz de reunir toda a produção cultural pernambucana. Essa era a ideia de Francisco Brennand, ao sugerir que a cadeia fosse transformada na Casa da Cultura de Pernambuco. Mas o centro de promoção do artesanato, da economia criativa e do turismo, há oito anos tem sinais de abandonado, a ponto de hoje não ter mais banheiros funcionando para os cerca de 30 mil turistas que visitam mensalmente o espaço.

“Minha esposa usou o banheiro dos comerciantes e disse que estava horrível, sem água, sem torneira, sem tampa e sem tranca nas portas”, disse o consultor comercial Rodrigo Modesto, 40, que veio do Espírito Santo. Para ele, o restaurante, onde serve os principais pratos da culinária local, deveria estar no andar térreo, para facilitar o acesso. Dos três elevadores, dois não estão funcionando.

Na última semana, um cruzeiro marítimo atracou no Porto do Recife, levando 70 ônibus à Casa da Cultura. Segundo o guia condutor João José, muitos saíram reclamando da falta de banheiros, dos elevadores quebrados, do lixo e da falta de segurança. “Eles perguntaram porque trouxemos eles para cá. Disse que fazia parte da programação da cidade”, comentou João.

A vice-presidente da Associação dos Lojistas da Casa da Cultura, Solange Araújo, adverte que esses problemas citados pelos turistas são os que eles conseguem enxergar em uma hora de permanência na casa. Mas há outros pontos que só quem está lá diariamente pode ver. “As caixas d’água estão todas abertas, mesmo com essa campanha para eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti. Só há um vigilante no local. Quando ele vai almoçar, não tem quem o substitua. Nos dias em que chegam vários ônibus, ficamos apreensivos. Fora o lixo e tralhas que se acumulam na rua da entrada principal, impedindo muitas vezes que os ônibus de turismo parem no local reservado para seu estacionamento”, detalha Solange.

Segundo ela, vários documentos já foram enviados para o diretor de equipamentos da Fundarpe, André Brasileiro, mas nada foi feito até o momento. “Ele disse que viria no mês de janeiro deste ano conversar conosco e até agora nunca apareceu. Pagamos um condomínio de R$ 297, mas o retorno não existe. Faz quase oito anos que estamos nessa luta por investimentos de melhoria nesse espaço”, conta a lojista.

Reparos
Em nota, a Fundarpe informou que mensalmente destina um valor de R$ 98,8 mil para custerar a manutenção da Casa da Cultura. “No último dia 7 deste mês, uma equipe técnica da Fundarpe esteve no equipamento cultural e os problemas identificados pela reportagem deverão ser sanados até o final do mês. Existe um projeto em curso para recuperação e acessibilidade dos banheiros, bem como reparos na coberta e pintura do equipamento”, disse a nota enviada à redação.

Diario PE

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