sábado, 26 de março de 2016

Nova Jerusalém: das ruas ao padrão Projac

Paixão de Cristo passou por mudanças até chegar aos globais

José Pimentel interpretou Cristo por 18 anos em Nova Jerusalém e implementou mudanças antes de ser substituído por globais

Arquivo Nova Jerusalém/Divulgação

Márcio Bastos

Da sua primeira apresentação dentro das muralhas da cidade-teatro, em 1968, até os dias atuais, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém passou por muitas transformações, deixando de ser uma atração local para ganhar destaque ao redor do País. O espetáculo é hoje um exemplo de reinvenção e sobrevivência ao teste do tempo, chegando à sua 50ª temporada, em 2017, ainda com fôlego. 

Em 1951, quando Epaminodas Mendonça leu em uma revista de variedades sobre a encenação da Paixão de Cristo nas ruas de Oberammergau, na Alemanha, e resolveu transpor a ideia para Fazenda Nova, o município se tornou referência na região durante a época da Semana Santa. No entanto, foi só em 1956, com a chegada de Plínio Pacheco ao Brejo da Madre de Deus, que os rumos da encenação começaram a mudar
Genro de Mendonça, Plínio teve a ideia de construir uma cidade-teatro que reproduzisse a Jerusalém dos tempos de Jesus. 

A ideia megalomaníaca deu certo: após um hiato de 5 anos sem encenação nas ruas, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém estreou no maior teatro ao ar livre do mundo.

Dificuldades, como a própria dimensão do local, que dificultava o entendimento das falas dos atores, entre outras limitações técnicas, que com o tempo foram sendo ajustadas até chegar ao modelo atual de dublagem, idealizado por José Pimentel.

Diretor do espetáculo desde 1969, a partir de 1978, Pimentel fez alterações na estrutura da peça, dinamizando-a, e passou também a interpretar Jesus, junto a um elenco majoritariamente pernambucano, até 1996, último ano antes do ponto de virada da Paixão: a chegada dos globais.

Percebendo a queda do número de público e a necessidade de inovar, Plínio contratou uma consultoria que sugeriu a contratação de nomes de peso para atrair mais gente. Amigo de Antônio Fagundes desde que o ator filmou A Compadecida (1969), em Nova Jerusalém, Pacheco pediu a ajuda do global. 

Foi então que Fábio Assunção, Silvia Pfeifer e Jackson Antunes foram contratados. O sucesso foi estrondoso e contou com uma maciça propaganda, que deu retorno. “O público de teatro é sempre tão minguado que, no Brasil, é preciso desses nomes para atrair gente”, enfatiza Carlos Reis,  diretor da Paixão desde 1997. 

Com a chegada dos astros televisivos, a Paixão entrou de vez na era do show business, com forte aparato minidático. O espetáculo em si, no entanto, manteve-se praticamente o mesmo, apenas com pequenas intervenções e mais efeitos tecnológicos. 

Além de Assunção estrelaram no papel principal: Herson Capri (1999), Luciano Szafir (2003 e 2006), Vladimir Brichta (2004), Eriberto Leão (2005 e 2010), Carmo Dalla Vecchia (2007), Thiago Lacerda (2008 e 2011), Murilo Rosa (2009) e Igor Rickli (2015 e 2016). Apenas os pernambucanos Marcelo Valente (2000-2002) e José Barbosa (2012-2014) quebraram essa tendência.

“Para montar o espetáculo, gastamos, em média 5 milhões. É uma megaprodução que se consolidou e os globais ajudam a dar esse retorno”, explica Robinson Pacheco, que comanda o espetáculo desde a morte de Plínio. Para 2017, quando o espetáculo comemora seu cinquentenário, a produção promete mudanças significativas. 

“Queremos dar um novo passo e inovar, fazer algo marcante”, afirmou o produtor. Tudo, no entanto, por enquanto é mantido a sete chaves. 

NE10

Um comentário:

  1. O padrão do espetáculo é bom, o ambiente arquitetônico é bom. É necessário melhorar o entorno (externo) do teatro, o estacionamento para o público. É necessário, para estas melhorias, contratar arquitetos urbanistas, engenheiros, etc.

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