quarta-feira, 30 de março de 2016

Via Metropolitana Norte pode mudar o trânsito em Olinda e Paulista

Primeira etapa das obras ficará pronta em 2017



A Via Metropolitana Norte poderá representar, para Olinda e Paulista, a importância que a Via Mangue tem para a Zona Sul do Recife. A expectativa é de que, com a implantação do equipamento viário, a velocidade média nas vias arteriais de Olinda e Paulista aumentem em pelo menos 60%, como aconteceu com as avenidas Boa Viagem, Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, após a liberação das pistas Leste e Oeste. A primeira etapa da obra ficará pronta em 2017. A segunda aguarda liberação de recursos federais e levará 30 meses parta ser concluída. 

O incremento de 6,1 km de vias promete desafogar não apenas o fluxo intenso das avenidas Getulio Vargas e Carlos de Lima Cavalcanti, paralelas à Metropolitana Norte, como também de outros corredores importantes da região, como a Avenida Pedro Álvares Cabral e Fagundes Varela, acessos ao bairro de Jardim Atlântico, e a Avenida Cel Frederico Lundgren, acesso ao bairro de Rio Doce, em Olinda. 

Para o secretário de Trânsito e Transportes da Prefeitura de Olinda, Oswaldo Lima Neto, a importância da Via Metropolitana Norte está justamente na transferência do volume de veículos, em sua maioria vindos de Paulista, Rio Doce e Jardim Atlântico, das vias saturadas de Olinda para o novo sistema viário. Após a implantação do corredor, os motoristas poderão acessar o Recife sem passar por dentro de Olinda. A frota da cidade hoje é de 130 mil veículos. Mas, segundo Oswaldo, há um acréscimo diário de 100 mil carros, impactando sobretudo as vias estreitas. 

“Das 7h às 9h e das 17h às 19h, não hesito dizer que a velocidade média não chega aos 10 km/h. Espera-se que essa velocidade, na Getulio Vargas e na Carlos de Lima Cavalcanti, atinja os 40 km/h nos horários de pico após a conclusão da Via Metropolitana”, estima o secretário. 

O fluxo chegará perto de sua velocidade ideal, que é de 50 km/h. “Temos que ponderar a existência de comércio e residências ao longo da Getúlio Vargas e Carlos de Lima, diferente dos corredores expressos, quando é possível atingir a velocidade máxima da via”, pondera Oswaldo Lima Neto. Ele lembra também que como as obras da Via Metropolitana Norte envolvem a requalificação do sistema de macrodrenagem do Canal do Fragoso, há a promessa de dar fim aos constantes alagamentos, que são hoje outro grande entrave à mobilidade de Olinda.

De acordo com a CTTU, após a abertura das duas pistas da Via Mangue, na Zona Sul do Recife, a velocidade da Avenida Conselheiro Aguiar passou de 24 km/h para 39 km/h, um aumento de 60,8%. O volume de veículos caiu de 36,5 mil carros por dia para 29,1 mil carros por dia. 

Na Avenida Boa Viagem, o impacto também foi grande no volume de veículos, que passou de 37 mil/dia para 24 mil/dia. Essa redução se refletiu no aumento da velocidade média da via, que passou de 23km/h para 37km/h (62,5%). Já na Avenida Domingos Ferreira, de acordo com a última contagem do órgão, o volume de veículos caiu de 57,5 mil carros por dia em 2014 para os atuais 32,5 mil carros por dia.

O professor do Departamento de Engenharia da UFPE, Maurício Andrade, pondera que a Via Metropolitana Norte, quando totalmente implantada, pode não atingir 100% de sua eficiência, sobretudo em um gargalo que poderá se formar na saída da PE-15. O motivo é que o projeto da Via Metropolitana Norte é uma das etapas do empreendimento II Perimetral Via Norte e IV Perimetral - Binário Cajueiro Seco, ambos parados. 

“Essa via deveria ligar a Ponte do Janga à Imbiribeira. Eu acho que a sua eficiência aumentaria se a II Perimetral saísse do papel, pelo menos até a Avenida Presidente Kennedy”, afirma Andrade. 

Para Maurício Andrade, a Via Metropolitana Norte tende a ficar defasada mais rapidamente que a Via Mangue, ao longo dos próximos 30 anos, porque o aumento do volume de veículos deve acelerar se não houver outros investimentos, tanto no sistema viário, quanto em projetos de mobilidade para uso do transporte público. Em 2009, o volume médio diário de veículos, nos dois sentidos entre a PE-15 e a Ponte do Janga, era de 26,1 mil carros, segundo relatório da empresa Contécnica elaborado para o DER-PE. 

Na época, as projeções para 2018 eram de um volume diário de 40 mil carros para a Via Metropolitana Norte (nos dois sentidos), um aumento de 50% em relação a 2009. Já para 2023, os estudos previam um volume de tráfego diário de 50,5 mil, 100% a mais que em 2009. “Mas acredito que esses números em relação ao volume de tráfego diário para a via já devem estar ultrapassados”, reconhece o secretário estadual de Habitação, Marcos Baptista. 

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