domingo, 17 de abril de 2016

Avenida Guararapes segue sina de abandono

Projeto de requalificação da via anda a passos lentos

Avenida é uma das principais do Centro / Diego Nigro/JC Imagem

Avenida é uma das principais do Centro

Diego Nigro/JC Imagem

A requalificação da Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, Centro, foi anunciada em agosto de 2014, através de uma parceria entre a Prefeitura do Recife e a iniciativa privada, a um custo total de R$ 1,5 milhão. Quase dois anos depois, é apenas mais uma obra à espera de conclusão. 
A bem da verdade, pouca coisa do projeto elaborado pelo Grupo Ser Educacional – instituição que tem uma unidade de ensino na via – e pela secretaria de Mobilidade e Controle Urbano da prefeitura saiu do papel. 

O documento original previa que 45 ambulantes que trabalhavam nas calçadas da avenida seriam removidos para ruas próximas. Hoje, muitos ainda continuam no local, trabalhando em bancas improvisadas e sem qualquer padronização. “Trabalho aqui há mais de vinte anos e já ouvi falar de vários projetos para a Guararapes, mas nunca resolvem nada, e a gente continua trabalhando de forma precária”, relata o engraxate José Severino da Silva, conhecido como Jacaré, apontando para o surrado banco de madeira onde atende os clientes.

Um dos itens previstos no projeto é a limpeza e pintura das pilastras que sustentam os prédios por quase toda extensão de 226 metros da via. Hoje, o local é uma verdadeira “galeria de arte” para pichadores. O vandalismo, por sinal, é um dos maiores problemas dos imóveis da Guararapes. É difícil encontrar algum que não traga a incômoda marca das pichações, mesmo nos andares mais altos. Uma nova sinalização de rua também deveria ter sido implementada. As poucas placas que existem, ou estão quebradas ou, claro, cobertas de pichação.

O local também não é um primor de limpeza: há lixo espalhado pelo chão e um forte odor de urina pode ser sentido em algumas das pilastras, numa prova de que elas são utilizadas como mictório, possivelmente à noite e pela madrugada.

Para completar o festival de desordem urbana, vários estabelecimentos têm ligações elétricas feitas de forma artesanal, com a fiação exposta e ao alcance dos pedestres. As paradas de ônibus se resumem a velhos totens onde não é possível ler os nomes das linhas que passam por ali. Cadeiras para que os muitos idosos que circulam pela área possam sentar enquanto esperam pelos coletivos? Nem pensar.

Dentro do projeto seria feita a recuperação das calçadas e a transferência dos comerciantes de alimentos para 76 quisoques localizados nas Ruas Mathias de Albuquerque e Amaro Pedrosa. Ainda segundo a parceria, os comerciantes informais seriam transferidos para terrenos que a prefeitura está comprando nas Ruas do Giriquiti, Saudade, Sete de Setembro, Riachuelo e Penha.

Uma das melhorias previstas na requalificação da Avenida Gurarapes foi a reabertura do lendário Bar Savoy, fundado em 1944 e que foi ícone da boemia recifense até 1992, quando foi fechado. O Grupo Ser Educacional chegou a realizar um concurso entre arquitetos locais para premiar quem fizesse o melhor projeto para o bar. Hoje, ele continua de portas fechadas. Além do Savoy, o Grupo Ser tem outros quatro imóveis na área: a Faculdade Joaquim Nabuco e os edifícios Trianon, JK e Santo Albino. 

Através de nota, o Grupo Ser Educacional informa que tem continua com a “total intenção de colaborar com a revitalização da Avenida Guararapes, para o resgate de uma área histórica e que hoje encontra-se pouco utilizada pela população recifense.”. De acordo com a instituição, o projeto continua em andamento, porém, o início ainda não foi possível devido a questões administrativas e jurídicas. 


O secretário municipal de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, explica que o projeto está sendo rediscutido com o parceiro privado tendo em vista uma ampliação para outras áreas do entorno. 

“A tendência é que sejam intervenções voltadas para o polo educacional que está sendo montado na área e que resgatem a livre circulação pela área”. Segundo Braga, boa parte das calçadas da via já foi desobstruída e que, até o final deste ano, será concluída a retirada do comércio informal.

Do JC Online

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