quinta-feira, 14 de abril de 2016

Casa da Cultura completa 40 anos em situação precária no Recife

Inaugurada em 14 de abril de 1976, a Casa da Cultura, no Centro do Recife, funciona no prédio da antiga Casa de Detenção

Casa da Cultura ocupa uma edificação do século 19 tombada pela Fundarpe / Foto: Ashlley Melo/JC Imagem

Casa da Cultura ocupa uma edificação do século 19 tombada pela Fundarpe

Foto: Ashlley Melo/JC Imagem

Cleide Alves

Era para ser uma data festiva. Afinal são os 40 anos da Casa da Cultura de Pernambuco. E o governo comemora a efeméride com bolo e apresentação musical, no fim da tarde desta quinta-feira (14). O problema é que o prédio, no Centro do Recife, acumula problemas. Diante de paredes sujas, banheiros quebrados e falta de segurança, lojistas não veem motivos para celebrar.
“A situação da Casa da Cultura é muito grave, uma vergonha para o Estado”, destaca Severino Soares de Lima, que trabalha no local há 30 anos e mantém um boxe no primeiro pavimento. Segundo ele, não bastasse a precariedade das instalações, lojas estão sendo saqueadas. “Há anos reivindicamos câmeras de monitoramento, para nossa segurança e também dos visitantes. Nunca fomos atendidos”, lamenta.

Comerciante no centro de artesanato há 34 anos, Eliezi Cavalcanti Parmera afirma que os lojistas deveriam fechar os boxes hoje (14 de abril), num ato de protesto. “Como pode um lugar turístico como esse não dispor de banheiros decentes para os visitantes? As bacias não têm assento, há descargas quebradas e quase todos estão entupidos ou fechados”, diz Eliezi.
Segundo ela, as bombas d’água que abasteciam os banheiros foram roubadas. “Os lojistas fizeram cotinha e compraram uma para repor”, diz Eliezi. Os comerciantes também tiram dinheiro do bolso para desentupir sanitários, acrescenta Ladjane Ferreira da Silva, funcionária de uma das lojas. “Isso é uma tristeza, falta de tudo”, declara Ladjane.

O mesmo se repete com a vigilância, bancada pelos comerciantes. “Temos um único segurança para o prédio todo”, revela Ladjane. “Antes, contávamos com oito homens. Nada aconteceu porque em cada entrada do edifício tem um Cristo de braços abertos, segurança de fato não existe aqui”, completa Eliezi Cavalcanti.
“Está tudo bagunçado, não poderia ter presente pior de aniversário do que isso”, diz Ladjane, que sente falta de restaurantes e lanchonetes com variedade no cardápio. Ela trabalhou na Casa da Cultura por 15 anos nas décadas de 80 e 90 e, depois de um período afastada, retornou há sete anos.
Eliete Bezerra trabalha há 16 anos na Casa da Cultura e vê dia a dia as vendas diminuindo. “A crise faz as pessoas comprarem menos e a Casa da Cultura de pernas para o ar só ajuda a espantar os visitantes”, pondera. “Nem o som, tocando música, funciona mais.’
Pela primeira vez no Recife, o securitário Anderson Nunes, de São Paulo, entrou em um dos banheiros e constatou que só uma cabine (de três) tinha condições de uso, na manhã de quarta-feira (13). As outras estavam interditadas. Amiga de Anderson, a bancária recifense Karina de Amorim, não visitava a casa há cinco anos e ficou surpresa com a quantidade de lojas fechadas. “São muitas”, diz ela.
O gerente de Equipamentos Culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), André Brasileiro, disse que o governo está ciente dos problemas. “Estamos com um processo licitatório em curso para recuperar pintura, banheiros, pisos de madeira, cantarias e esquadrias”, informa.
“Consertos rápidos são feitos diariamente e temos 21 pessoas atuando na limpeza”, garante. Sobre as câmeras de monitoramento, ele disse que terá de consultar a gerência de patrimônio para saber se há previsão de instalação.

A Casa da Cultura foi aberta ao público em 14 de abril de 1976, no prédio da antiga Casa de Detenção, inaugurada em 1855 e desativada em 1973. A edificação é tombada pela Fundarpe. A festa de hoje começa às 16h com a bênção conduzida por frei Rinaldo e participação do Quinteto Violado. Às 17h haverá o corte do bolo e às 17h30, show do Quinteto.

JC Online

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