sexta-feira, 8 de abril de 2016

Construtora não divulgou novo projeto para a área do Edifício Caiçara

Demolição do Edifício Caiçara, localizado à beira-mar do Pina, no Recife, foi concluída quinta-feira (7)

Construção dos anos 30, o Edifício Caiçara tinha estilo arquitetônico neocolonial / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Construção dos anos 30, o Edifício Caiçara tinha estilo arquitetônico neocolonial

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Depois de concluir a demolição do Edifício Caiçara, à beira-mar do Pina, na Zona Sul do Recife, a Construtora Rio Ave, proprietária do terreno, mantém segredo sobre o novo empreendimento que será erguido no local. De acordo com a empresa, nesta sexta-feira (8) será feita a limpeza dos escombros, mas não há planos para a nova ocupação.

Cinco anos atrás, em entrevista ao JC, antigos moradores do Caiçara, que permutaram os apartamentos por área construída, disseram que o novo prédio teria 30 pavimentos e duas unidades por andar, num total de 60 residências. Na tarde de quinta-feira (7), a assessoria de imprensa da Rio Ave não confirmou a informação e disse que ainda seria feito estudo de mercado.

O Caiçara começou a ser demolido em 27 de setembro de 2013, mas representantes da sociedade civil acionaram a Justiça para impedir a ação, enquanto tentavam incluir o imóvel na lista de bens preservados pelo município ou tombados pelo Estado. Na manhã de quinta-feira (7), autorizada pela Justiça, a empresa terminou o serviço iniciado há dois anos e meio.
A construtora informa que também está respaldada em licenças de demolição concedidas pela Prefeitura do Recife. Com auxílio de duas retroescavadeiras, os últimos apartamentos do prédio, que não conseguiu ser classificado como imóvel de preservação, foram colocados abaixo. A derrubada teve início por volta das 6h e se estendeu até o meio da tarde.
“É uma pena, achava a arquitetura do prédio muito bonita. Porém, ao mesmo tempo, não há incentivos para a pessoa manter um bem tombado. No exterior, há preservação, valorização e respeito à memória. A culpa não é da imobiliária, é da nossa cultura e dos nossos governos, que não têm essa preocupação”, comenta uma moradora do bairro, que identificou-se apenas como Leila.


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O síndico do Edifício Nossa Senhora de Copacabana (vizinho do Caiçara), Fernando Ferreira, disse que o prédio deveria ter sido preservado quando estava inteiro. “Essa situação não poderia continuar. Os entulhos da demolição inacabada atraíam ratos, baratas e escorpiões. Era um perigo e uma fonte de doença, em tempos de dengue, zika e chicungunha”, declara Fernando Ferreira.
“Acordei com a cama balançando, achei que o prédio estava caindo”, diz a jornalista Vívian Raposo, moradora do mesmo condomínio. “Não sabia que fariam isso hoje (quinta-feira, 7). Há o lado negativo de demolir a história, mas não podíamos continuar vivendo com aqueles entulhos”, observa.
O Edifício Caiçara era uma construção dos anos 30, no estilo arquitetônico neocolonial tardio, segundo a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Na época, já se fazia edificações mais modernas na cidade.

JC Cidades

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