terça-feira, 26 de abril de 2016

Construtoras dominam doações eleitorais a senadores na comissão de impeachment

Dos 21 senadores que avaliarão o impeachment de Dilma Rousseff no Senado, metade recebeu dinheiro de construtoras durante campanha

Senado faz sessão para eleger comissão do impeachment (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Construtoras, bancos e diretórios políticos são os maiores responsáveis pelo financiamento de campanha dos 21 senadores escolhidos para compor a Comissão Especial que analisará o processo de impeachment no Senado Federal, segundo levantamento feito por Época NEGÓCIOS a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pouco menos que a metade (10) dos 21 senadores tem construtoras entre seus quarto maiores doadores eleitorais, inclusive empresas investigadas pela operação Lava Jato. A Camargo Corrêa e a UTC são a segunda e a terceira maiores doadoras da campanha que levou Lindbergh Farias (PT-RJ) ao Senado. Entre os senadores da comissão, Farias teve a segunda maior arrecadação na campanha eleitoral (R$ 12,64 milhões declarados).

Além do senador carioca, a Camargo Corrêa também aparece como uma das maiores doadoras das campanhas de Gleise Hoffman (PT-PR) e José Pimentel (PT-CE). Os três pertencem ao Partido dos Trabalhadores. A OAS também aparece como um dos maiores doadores de Hoffman. Na lista de beneficiados pela UTC, fora Farias, também está Fernando Bezerra (PSB-CE).

Outras construtoras que aparecem como doadoras generosas para senadores são o Grupo Galvão, a Prefisan Engenharia (ambas para Zezé Perrella, do PTB-MG), a Enpa Engenharia, a Cavalca Construções (ambas para Wellington Fagundes, do PR-MT), a WP Construções, a Construtora Etam (ambas para Vanessa Grazziotin, do PCdoB-AM), a Construtora Amazônidas (que doou, junto à Etam, para Gladson Cameli, do PP-AC) e a Participa Empreendimentos Imobiliários (Ronaldo Caiado, DEM-GO).

A OAS, a UTC, a Camargo Corrêa e o Grupo Galvão são algumas das construtoras que estão sendo investigadas pela operação Lava Jato. Ricardo Pessoa, da UTC, Leo Pinheiro, da OAS, e executivos da Camargo Corrêa fizeram delação premiada para diminuir a pena.

Dario de Queiroz Galvão Filho, do Grupo Galvão, foi condenado em dezembro pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa a 13 anos de prisão.

Os bancos também estão presentes no levantamento. O Itaú é citado três vezes: doações para Aloysio Nunes (PSDB-SP), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Romário (PSB-RJ). 
O Bradesco doou para Dario Berger (PMDB-SC) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Entre empresas de outros setores que repassaram legalmente dinheiro para as campanhas de senadores que compõem a Comissão Especial de impeachment do Senado aparecem a Fibria, a Cosan, a Interfarma, a Eldorado Brasil, a Copper Tranding e a Telerio.

De R$ 18,1 milhões a R$ 240,5 mil

Quem mais recebeu doações financeiras no seu esforço para ocupar uma cadeira do Senado Federal foi Antonio Anastasia (PSDB-MG).


O mineiro, provável relator do processo de impeachment na casa, arrecadou R$ 18,1 milhões de empresas como Orteng, JBS, Supermercados BH e BTG Pactual.

Na outra ponta está Telmário Mota (PDT-RR), com um montante total de R$ 240,5 mil arrecadados do diretório, de correligionários e da colega senadora também por Roraima Ângela Portela.

Indicado como presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB) recebeu um total de R$ 3 milhões, vindos, em ordem por valor, do diretório, da Felinto Indústria e Comércio, da Telemont e da Andrade Galvão Engenharia.

Como primeiro suplente, Lira prestou contas ao TSE junto ao titular Vital do Rego Filho, que assumiu em 2014 vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU).

POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

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