domingo, 17 de abril de 2016

Em duas semanas, Emlurb retira mais de 20 toneladas de lixo das margens do Rio Capibaribe

Os manguezais, que servem de berçário para várias espécies marinhas, sofrem com a quantidade de entulho trazido pela maré ou despejado irregularmente no rio

Funcionários da Emlurb fazem limpeza em trecho do Cais José Estelita, no bairro do Cabanga / Foto: Fernando da Hora/ JC Imagem

Funcionários da Emlurb fazem limpeza em trecho do Cais José Estelita, no bairro do Cabanga

Foto: Fernando da Hora/ JC Imagem

Um ranking divulgado em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou o Rio Capibaribe como o 7º rio mais poluído do país. Quatro anos depois, o quadro parece não ter mudado muito. Basta uma pequena volta pelo Recife para notar que a poluição do rio é latente. Nas duas últimas semanas, a reportagem do JC acompanhou o mutirão montado pela Prefeitura do Recife para limpeza das margens do Capibaribe e constatou a sujeirada que predomina nas áreas de manguezal. Berçários de várias espécies marinhas, os locais acumulam todo tipo de lixo.


Mensalmente, agentes da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) realizam os mutirões. Neste mês, o primeiro ponto visitado foi o Cais da Aurora, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. Durante uma semana, 20,3 toneladas de lixo foram recolhidas somente no trecho entre o Monumento Tortura Nunca Mais e a Ponte do Limoeiro. 

No Cais José Estelita, no bairro do Cabanga, Zona Sul do Recife, a margem do rio estava tomada pelo entulho trazido pela maré ou despejado irregularmente no local. Muita garrafa plástica, isopor e até mesmo móveis e eletrodomésticos. “O lixo e a água podre acabaram com a pescaria da gente. É arrastando peixe e arrastando lixo, assim que a gente vai vivendo”, relatou o pescador Genival do Nascimento, que há 53 anos exerce a atividade no local.


A secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife Inamara Mélo frisa a necessidade dos mutirões, mas ressalta que a recuperação do rio passa por um debate mais abrangente. “É preciso lembrar que o Capibaribe passa por 42 cidades, que despejam esgoto e poluentes em vários trechos. A recuperação é pautada em ações a curto e longo prazo e deve envolver a sociedade e o poder público”, analisa. Neste sentido, a secretária destaca o Projeto Parque Capibaribe, que prevê a recomposição de 30 km da margem do rio e a reapropriação desses espaços pelos cidadãos. 

Há 22 anos trabalhando em ações de proteção e saneamento do Capibaribe, os fundadores da ONG Recapibaribe, Socorro e André Catanhede, acreditam que os projetos de recuperação devem trabalhar o rio na sua essência. “Antes de priorizarmos navegabilidade e contemplação do rio, precisamos pensar projetos que nos permita ver o rio, pescar, tomar banho. Tratar o Capibaribe como ele realmente merece”, opina Socorro.


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