sexta-feira, 1 de abril de 2016

Empresa de confecções lucra com protestos contra e a favor do governo em Pernambuco

Capibaribe Malhas fabrica camisas com estampas temáticas que agradam manifestantes pró e contra Dilma

Com o país mergulhado em uma grave recessão econômica, não faltam histórias de empresas que sofreram um impacto profundo. Muitas precisaram encerrar suas atividades. Outros negócios, porém, prosperam em meio ao caos político. Caso da Capibaribe Malhas, empresa do ramo têxtil sediada na Imbiribeira, que encontrou uma maneira de explorar o acirramento das discussões para maximizar seu faturamento vendendo camisas temáticas para manifestantes do pró e contra o governo.

O proprietário Eduardo Maia conta que a ideia surgiu de uma conversa entre amigos. “Trabalho com a confecção de camisas como veículo há muitos anos. Conversando com uns amigos, tivemos a ideia de lançar a campanha do Vem pra Rua com Humor. Tivemos algumas ideias, criamos a coleção e em uma semana, colocamos na rua”, contou.
A primeira coleção contou com oito modelos de estampa criados por um ilustrador e era voltada para as manifestações de oposição ao governo. “Sempre falo que procuro não ter direcionamento político dentro da empresa. Começamos com as estampas contra o PT porque foram as manifestações que surgiram primeiro”. Mas logo vieram pedidos do outro lado. “Aí começaram a chegar mensagens pra gente. Diante da demanda, vimos que seria um erro escolher um lado”, lembra. “O problema é que a gente não tinha nenhuma opção de estampas a favor do governo. Até que um publicitário nos procurou e ofereceu algumas artes sem cobrar nada. Aí começamos a vender também.”

No protesto pró-impeachment realizado em 13 de março, a empresa chegou a colocar um ponto de venda ambulante na Avenida Boa Viagem. Apesar de ter planejado a mesma ação para a manifestação em apoio ao governo cinco dias depois, Eduardo não conseguiu repetir o esquema. “Não conseguimos vender lá porque houve um desencontro de informações e ficou impossível viabilizar. Mas as vendas para os que apoiam o governo têm sido melhores”, explica.

Eduardo explica que a maior fatia do faturamento da empresa continua vindo de ações voltadas para empresas privadas, prefeituras e até o governo estadual. “A venda destas camisas temáticas ainda representa algo muito incipiente. Pra se ter uma ideia, vendemos cerca de 500 camisas com estampas relacionadas às manifestações, enquanto normalmente recebemos encomendas de mil unidades de outros clientes.”

Por: Celso Ishigami - Diario de Pernambuco

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