segunda-feira, 25 de abril de 2016

Escola filantrópica modifica comunidade no Caça e Pesca no Ceará

Para funcionar, escola demanda cerca de R$ 40 mil mensais. Doações são necessárias constantemente para mantê-la

Luana Severo

RODRIGO CARVALHO

A escola atende a 140 crianças entre 3 e 11 anos. O pré-requisito é que residam perto da escola e que os pais estejam trabalhando

O que você faz para mudar o mundo? Nildes Alencar Lima, 82, preside e ajuda a manter, voluntariamente, uma escola infantil para crianças carentes da comunidade do Caça e Pesca, na rua Jamaica, entre a Praia do Futuro e a Sabiaguaba. Emoldurada no pátio do lugar, a imagem da pedagoga está entre a de outras 14 amigas que, em 2001, uniram esforços e recursos para, de fato, fazer o bem por alguém.


 
Chamada Sol, a instituição cumpre carga horária integral (7h30min às 16h30min) e atende a 140 crianças entre 3 e 11 anos. Começou a funcionar em setembro de 2006 e nunca recebeu apoio financeiro do Município, do Estado ou da União, nem mesmo para a construção da escola, em 2001. O piso das salas foi cedido por um empresário, os banheiros foram erguidos por outro, o apurado de rifas garantiu mais um cômodo, até que, numa corrente de solidariedade, o sonho encorpou.

“No momento em que você descobre esse caminho, não tem mais volta”, reflete Nildes, que atribui a liderança do grupo voluntário de mulheres a Elda Braga Meireles, 81, vice-presidente da Sol. Elda faz questão de destacar que a evidente vocação de Nildes para o magistério é o motor que impulsiona o trabalho.

Nildes entende que, para cumprir seu papel e contribuir no desenvolvimento da comunidade, a escola precisa estabelecer um raio de atuação. Por isso que, como pré-requisito para a matrícula, o aluno da Sol deve residir no entorno da instituição e seus pais têm de estar trabalhando. “Senão, ficaria um serviço disperso”, justifica a pedagoga.
 Estímulo
Atualmente, 12 professoras trabalham na Sol. A maioria começou com o ensino médio completo e, hoje, todas estão formadas e algumas até cursam pós-graduação. Nildes é a principal incentivadora. “Ela treinou todas e as colocou na universidade!”, elogia Elda. “São meninas que foram trabalhadas já dentro da escola para a universidade”, explica Nildes.
Quando entrou para o corpo docente da Sol, em 2012, Cláudia Fernandes, 33, ainda estudava Pedagogia. Hoje, quatro anos depois, formada, ela comemora o início de um curso de pós-graduação em Psicopedagogia. “Desde que entrei para a escola, sou outra pessoa. Aqui, me sinto preparada pra qualquer coisa”. Sobre a convivência com os alunos fora da escola, Cláudia relata: “eles veem a gente por aí e dizem ‘valha, a tia!’ É como se eles achassem a que a nossa vida é só aqui”, brinca.

Finanças
Mensalmente, a escola demanda quantia em torno de R$ 40 mil. Do valor, 80% é para pagar o quadro de funcionários, mão-de-obra da própria comunidade em que a Sol está inserida. O problema é que, recentemente, Elda e Nildes têm percebido redução no apoio financeiro. Nos últimos meses, tem sido difícil fechar o orçamento. “Sempre fica a interrogação”, comenta Nildes, preocupada.
Saiba mais

Por ser uma escola de ensino integral, a Sol oferece três refeições diárias aos seus alunos. Eles também tomam banho na instituição e recebem, gratuitamente, o material escolar.
 O material é doado à escola por pessoas físicas, jurídicas ou por instituições de ensino particular. O plano de aula é feito anualmente pelo corpo docente.
 A escola é equipada por salas de aula, refeitório, cozinha, banheiros, quadra, biblioteca e sala de informática.

Serviço

Interessados em ajudar a Escola Sol podem entrar em contato pelo telefone (85) 3262 2946 ou pelo e-mail ss.liberdade@bol.com.br. Também é possível fazer depósito em conta corrente.
Banco do BrasilAgência: 3473-8
C/C: 11557-6CNPJ: : 04794861000140
Razão Social: Sol Solidariedade Operosidade Liberdade

O Povo

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