São Paulo - Para se manter inovadora, o Google depende enormemente de seus funcionários.
Há alguns anos, ela lançou uma política que permitia que eles usassem 20% do seu tempo de trabalho para projetos pessoais – e que também fossem interessantes para a empresa.
Foi assim que ela criou o Google News, Gmail e AdSense.
Hoje, a situação é outra. Por causa da forte competição interna, não é mais possível tirar um quinto do dia para criar novas ideias. Segundo a Marissa Mayer, ex-executiva do Google e hoje CEO do Yahoo, os funcionários na verdade trabalham 120%.
Com isso em mente, a gigante de tecnologia estaria criando uma aceleradora própria, chamada de Area 120.
O nome é uma referência aos 120% de esforço do funcionário, tanto em seu trabalho normal quanto em projetos paralelos, de acordo com um relatório The Information.
Além de incentivar novas ideias, outro objetivo da aceleradora é manter seus melhores talentos e suas ideias brilhantes dentro de seus domínios, de acordo com fontes ouvidas pelo veículo americano, uma vez que é comum um funcionário sair do Google para abrir a própria startup.

Como funcionará

De acordo com o relatório The Independent, a Area 120 será como qualquer incubadora. Uma pessoa ou um grupo podem inscrever um projeto de negócio e, se selecionados, trabalharão na ideia por um tempo ainda não determinado.
Se o projeto for bem-sucedido, o próprio Google se tornará um investidor e irá ajudar a lançar o produto – eventualmente, até separando-o da companhia mãe.
A aceleradora ficará em um dos escritórios em San Francisco, na Califórnia. Don Harrison, vice-presidente de desenvolvimento, e Bradley Horowitz, vice-presidente de fotos e streaming, irão comandar a nova área, segundo o documento.

Incentivos e investimentos

Assim como a política de usar 20% do tempo em outras ideias, a aceleradora incentiva a criatividade e inovação dentro da companhia.
A Alphabet, empresa mãe do Google que foi criada em agosto do ano passado, também tem sua própria incubadora.
O "Google X" é a incubadora de projetos da Alphabet. O laboratório de desenvolvimento é administrado por Sergey Brin, que fundou a companhia de pesquisa ao lado de Larry Page.
Lá, nasceram experimentos como o Google Glass e o Loon, programa que quer levar internet a lugares remotos por meio de balões.
A Ventures é outra divisão da Alphabet responsável por alavancar ideias. O fundo de investimentos já alocou capital em mais de 300 companhias como o Uber, a Nest (que agora também pertence ao grupo) e organizações na área de saúde.

Karin Salomão, de EXAME