domingo, 24 de abril de 2016

Movimento Pró-Criança precisa de doações para reconstrução de sede no Recife

Após anúncio do governo do Estado de um auxílio de R$ 1 milhão, que nunca foi recebido, doações diminuíram. Agora, o movimento conta com a caridade para não encerrar as atividades

Metade da sede foi destruída por um incêndio em 2014. Desde então, o espaço espera pela reconstrução. / Alexandre Gondim/ JC Imagem

Metade da sede foi destruída por um incêndio em 2014. Desde então, o espaço espera pela reconstrução.

Alexandre Gondim/ JC Imagem

Quase dois anos depois do incêndio que destruiu metade da sede do movimento Pró-Criança, no bairro dos Coelhos, área central do Recife, nada do que foi atingido pelo fogo foi reconstruído. Doações recebidas após campanhas foram suficientes apenas para manter a organização funcionando, ainda há a necessidade da reconstrução do espaço, orçada em R$ 4,5 milhões. Em 2014, o governo do Estado prometeu um auxílio de R$ 1 milhão, nunca recebido. Hoje, não há previsão para o início das obras.

Do alto do prédio é possível ver o que restou do incêndio. Só as paredes de tijolos estão de pé. Tigelas de barro resistem onde antes havia uma sala de artes. No local onde funcionava o almoxarifado é possível perceber pedaços de uma geladeira.


Mesmo sem recursos para começar obras de reestruturação, a esperança de quem trabalha no local não é abalada. “Quando isso aqui estiver pronto vou fazer uma faixa de cima a baixo para agradecer a todos, não importa se doou um milhão ou cinquenta centavos”, desabafa Antônio Vicente, que há 18 anos trabalha como gestor da sede dos Coelhos.

O Movimento Pró-Criança, criado pela Arquidiocese de Olinda e Recife, tem outras duas sedes na RMR e se mantém através de doações. Nos Coelhos, crianças têm oportunidade de fazer atividades culturais, que, em alguns casos, rendem frutos para a vida toda. 

“O Pró-Criança foi a base para tudo o que eu sou hoje”, lembra Júnior Santos, que morava no bairro de Salgadinho, quando fez um curso de fotografia na instituição em 2004. Com auxílio dos professores ele continuou trabalhando na área e hoje mora e trabalha com fotografia em Zurique, na Suíça.

Para não parar as atividades, a instituição contou com a caridade. “Conseguimos doações em torno de R$ 720 mil com o apelo de dom Fernando Saburido, com isso recuperamos salas abandonadas do outro lado do prédio, estamos trabalhando meio precariamente, mas já temos mais meninos atendidos do que antes do incêndio”, afirma Sebastião Barreto Campelo, presidente da instituição.

Com o anúncio do auxílio, porém, a situação mudou. “Depois que o governo anunciou a doação de R$ 1 milhão as pessoas diminuíram as contribuições, só que não foi recebido nada (do dinheiro prometido)”, lembrou o presidente. Antes do incêndio eram 600 crianças, hoje são cerca de 800, que, mesmo no improviso, continuam a realizar atividades aguardando pela reforma da casa.


Segundo o governo do Estado, a doação de R$ 1 milhão está prevista para o orçamento de 2016 e será dividida em quatro parcelas. Não há, no entanto, prazo definido para a liberação dos repasses.

JC Cidades

Nenhum comentário:

Postar um comentário