quinta-feira, 21 de abril de 2016

Os descaminhos da PE-15

Rodovia surgiu para encurtar distâncias entre a capital e cidades da RMR, mas segue com problemas

Arthur de Souza/Folha de Pernambuco 

Problemas ao longo dos 11,5 km não faltam. Alguns deles são mais graves, como os desníveis que pegam os motoristas de surpresa

Construída na década de 80, a rodovia PE-15, com 11,5 km de extensão, surgiu para encurtar distâncias entre o Recife e municípios, como Olinda, Paulista e Abreu e Lima. Uma das grandes provas de fogo veio a partir de 2013, com a construção de viadutos e novos corredores de transporte público de passageiros.


Tudo era para ter ficado pronto até a Copa do Mundo de 2014, o que não se concretizou. A via é hoje uma das principais da Região Metropolitana, recebendo um fluxo médio de 30 mil veículos/dia. Os problemas agravaram-se. O apanhado é de obras inacabadas, lixo, mato, buracos e desrespeito às leis de trânsito. Em 2015, 450 acidentes foram registrados na rodovia, segundo o DER.

Obras inacabadas

A promessa de oferecer aos usuários mais fluidez e conforto parece distante do cenário encontrado na PE-15. Com um orçamento de R$ 190 milhões, a conclusão do corredor de BRT Norte/Sul ainda não tem data, mas já demonstra ser insuficiente para sanar tantos problemas. Na faixa central, que seria destinada apenas aos ônibus, condutores comuns se apropriaram para fugir dos congestionamentos. Falta fiscalização. Já a almejada ciclovia jamais conseguiu sair do papel.



Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A informação é de que não há prazo nem verba assegurada. O que se vê agora são entulhos e um verdadeiro estacionamento sobre a via. Quem pedala fica obrigado a fazer outro caminho ou disputar o arriscado espaço com os veículos. Os esqueletos das passarelas inacabadas também dão o tom do abandono. “Reconhecemos as dificuldades, mas estamos trabalhando para saná-las. Teremos o alargamento do acesso e duas pontes ganharão novas faixas”, assegurou o secretário-executivo de Mobilidade, Leonardo Cabral.

Má conservação

O caminho é de muita desordem. A sujeira tomou conta do asfalto e também das calçadas da rodovia. Em alguns pontos, chega a obstruir a passagem de quem tenta seguir de carro ou a pé. Morando há 30 anos no bairro de Ouro Preto, a dona de casa Ana Lúcia Souza, 52, não esconde a insatisfação “Parece que tudo aqui foi abandonado”, disse, enquanto apontava uma montanha de lixo. Um verdadeiro matagal passou a ocupar o canteiro central ao longo de todo o percurso.



Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A vegetação também invade as paradas de ônibus e chega à porta das residências e do comércio que margeia a via. E carcaças se acumulam abaixo dos elevados. A conservação da pista também deixa a desejar em alguns pontos, como na Cidade Tabajara, com buracos e barro no pavimento. O esgoto também corre a céu aberto na via local. Nas proximidades do Terminal Integrado, os desníveis acumulam água, representando mais um perigo. Procurado pela Folha, o DER diz que realiza ações pontuais e promete uma faxina na próxima semana.

Pedestre sem vez

Apesar de considerado um corredor de tráfego rápido, a PE-15 passa por três municípios, perfazendo dezenas de bairros e comunidades. Em sua extensão, abriga empresas, depósitos, escolas e universidades. É gente que esquenta a cabeça sempre que precisa passar de um lado para o outro. “Depois que as obras (viadutos) tiveram fim, criou-se uma barreira para os pedestres, ficamos sem vez”, diz a cabeleireira Leidjane Barbosa, 45.


Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Os usuários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), uma das que recebem maior demanda na RMR, também reclamam. “Não priorizaram passarelas e as faixas de pedestres são sempre muito distantes. Ninguém respeita o semáforo e já houve diversos acidentes”, criticou o pedreiro Ricardo Cândido, 58. Na altura do quartel do Exército, as calçadas são utilizadas por lojas como vitrines. Pode-se encontrar todo o tipo de produtos, obstruindo a passagem. Sobra ao cidadão caminhar pela pista.

Sinalização precária

    Como um jogo de tabuleiro desordenado, os veículos que circulam pela PE-15 usam de rotas próprias. As pedras de gelo-baiano, utilizadas para dividir as faixas de rolamento, logo são desconsideradas. Entre os intervalos, os carros avançam e infringem a lei, sob o risco de atingir veículos no sentido contrário. Novamente, falta fiscalização. Com as obras do corredor que não tiveram fim, tornaram-se comuns conversões à direita ou à esquerda, assim como pequenos desvios.




    Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

    “Quem não conhece acaba cometendo deslizes, quem vem atrás acaba colidindo”, apontou o taxista Eduardo Souza, 36. Na via que antecede o corredor, a avenida Pan-Nordestina, a situação não é diferente. Nas proximidades do Fórum e de um grande supermercado, o acesso à faixa exclusiva não tem qualquer tipo de sinalização. Com os acidentes se repetindo, moradores improvisaram uma placa com a inscrição de perigo. “É um grande descaso”, diz a advogada Joana Oliveira, 40.

    Marcílio Albuquerque, da Folha de Pernambuco

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