segunda-feira, 25 de abril de 2016

Paulista ganha primeiro laboratório para formação do cão-guia do país

Espaço foi projetado especialmente para treinar e aperfeiçoar o cão-guia junto com o portador de deficiência visual



Laboratório fica nas dependências do Kennel Club de PE, em Paulista.Foto: Divulgação

Está sendo inaugurado nesta segunda-feira o primeiro Laboratório Acessível para Formação do Cão-Guia do país. O espaço foi projetado especialmente para treinar e aperfeiçoar o cão-guia junto com o portador de deficiência visual, fica nas dependências do Kennel Club de PE, em Paulista, Região Metropolitana do Recife (RMR).

A solenidade acontece quando se comemora o Dia Internacional do Cão-Guia. O espaço simula uma rua, com todos os obstáculos que podem vir a ser um problema para o deficiente visual. Semáforo, faixa de pedestre, lixeiras, rampas, meio-fio, orelhões, placas, árvores, calçadas, cones de intervenção de obras, bancos, declives e outros elementos urbanos foram incluídos no circuito, que tem o objetivo de familiarizar o cão e o deficiente visual ao ambiente externo.

O projeto foi implantado graças a doações de empresas parceiras. Para a formação completa de um cão-guia, são investidos de R$ 20 mil a R$ 30 mil. “Temos aqui uma prévia do que são as vias públicas. Treinar a dupla nesse ambiente controlado, sem barulho ou distrações, vai otimizar o processo”, garante o instrutor cinotécnico e diretor de adestramento, Joaquim Cavalcanti.

Enquanto o Brasil tem cerca de 100 cães-guia, no estado de Pernambuco existem cinco em atuação, três deles treinados no Kennel. Esses cães são submetidos a novos testes de treinamento pela equipe de profissionais do clube a cada três meses para garantir que ele não tenha adquirido nenhum vício ou mania que possa prejudicar o seu acompanhante. Além disso, o deficiente precisa apresentar todos os exames médicos e de vacinação do cão atualizados.

O cão-guia não é um cachorro comum. Das raças Golden Retriever ou Labrador, os cachorros são escolhidos logo na ninhada, por indícios iniciais de sensibilidade aguçada que o diferencia dos demais. Com apenas 45 dias, a ninhada é levada ao instrutor, que realiza estímulos nos filhotes, como bater várias palmas e retirá-los do chão. Aqueles que reagem de maneira mais calma e sensível são considerados aptos a serem cães-guia.

Depois de escolhidos recebem um lar temporário por nove meses, quando já podem iniciar o treinamento. Durante dois anos os cães são ensinados a resolver problemas e situações do dia a dia. Aprendem a desviar o acompanhante do obstáculo, a indicar situações de risco ao dono e a obedecer os comandos de voz. “O cão é um animal de matilha. Toda matilha tem um líder. O cão tem que ver no seu dono o líder da matilha”, afirma o presidente do Kennel Club, Luiz Almeida. 

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