quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pintura do casario elimina pichação no Pátio de São Pedro no Recife

Pátio de São Pedro, no Centro do Recife, era um local de boemia, mas caiu no esquecimento. Comerciantes cobram da prefeitura eventos artísticos

Construído no século 18, o Pátio de São Pedro é tombado como patrimônio arquitetônico brasileiro desde 1938 / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Construído no século 18, o Pátio de São Pedro é tombado como patrimônio arquitetônico brasileiro desde 1938

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Cleide Alves

O Pátio de São Pedro, no Centro do Recife, livrou-se da pichação que cobria toda a fachada do casario desde meados de 2015. Paredes, portas e janelas foram pintadas com tintas de cores suaves, como antes. Falta, agora, remover os rabiscos dos azulejos e das pedras de cantaria, a parte mais difícil da limpeza.

“Não gastamos nada com a pintura, a prefeitura fez o serviço”, afirma Carlos José Bezerra, um dos proprietários do restaurante Buraco do Sargento, que completa 60 anos de fundação em maio próximo e funciona no pátio há mais de três décadas. “Sem pichação é muito mais bonito, porém ainda faltam atrativos para o público”, destaca o comerciante.


A Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) pintou o casario há dois meses, com recursos próprios. “Seguimos o padrão de cores indicado pela Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural (DPPC)”, diz o gestor do Pátio de São Pedro, Bruno Padilha Castanha. 

No Carnaval de 2016, no início de fevereiro, não havia mais sinal da sujeira nas fachadas.

“Vandalismo acontece a qualquer momento, mas esperamos que isso não se repita. Até agora estamos conseguindo manter as fachadas íntegras”, declara Bruno Padilha. A área é controlada por uma câmera de monitoramento da Secretaria de Defesa Social e por guardas municipais, orientados a reforçar a vigilância no período noturno.


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Casario do Pátio de São Pedro, no Centro do Recife, estava pichado e agora exibe fachadas pintadas

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Joseilda Brito, proprietária do restaurante Aroeira, faz a mesma observação de Carlos José Bezerra. “Com a pintura, está tudo muito bonitinho, mas é preciso trazer eventos culturais para movimentar o pátio. A prefeitura só faz alguma coisa no Carnaval, São João e Natal. A gente não pode viver só de três festas no ano”, diz ela.

De volta ao Recife depois de morar na Europa, Geysa Keylla Birnbaumer, defende uma vigilância mais rigorosa nas áreas históricas da cidade, para evitar o vandalismo, e um melhor aproveitamento do Pátio de São Pedro. “É um lugar muito bonito, ideal para se fazer eventos com música nordestina. As casas pintadas ganharam outro aspecto”, afirma.


O gestor do pátio informa que a prefeitura não promove eventos no local, com frequência, por falta de recursos. “Para fazer uma festa teríamos de pagar pelo palco, pelo som e pela atração artística. Continuamos com a Terça Negra, e só uma vez por mês, porque não há cachê e o custo é mínimo para o município”, diz Bruno Padilha. “Aqui, basta botar alguém batendo lata que junta gente”, pondera Joseilda.

Das 24 casas que compõem o pátio, 17 pertencem à prefeitura. Cinco funcionam com bares e restaurantes, 11 são equipamentos culturais e os demais têm usos variados, público e particular. Estão fechados o Mamam do Pátio (falta de verba), o Centro de Formação em Artes Visuais (temporariamente abrigado no Centro de Design) e o antiquário (interditado por problemas na coberta).


Monumento do século 18, o Pátio de São Pedro é tombado como conjunto arquitetônico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938. A Igreja de São Pedro dos Clérigos, exemplar do barroco brasileiro, continua fechada pelo Iphan para obra de restauração. De acordo com Bruno Padilha, a FCCR está avaliando o produto mais adequado para tirar a pichação dos azulejos e da cantaria.

JC Online

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