segunda-feira, 11 de abril de 2016

População aprova parque às margens do Rio Capibaribe, no Recife

O projeto inicial do Parque Capibaribe, nas Graças, por trás da Estação Ponte D'Uchoa, descortina um trecho do rio

O futuro Jardim do Baobá, nas Graças,  será o marco inicial do projeto do Parque Capibaribe / Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

O futuro Jardim do Baobá, nas Graças, será o marco inicial do projeto do Parque Capibaribe

Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Toalha vermelha de xadrez, lanchinho e violão deram o clima de piquenique ao Domingo no Baobá, evento realizado às margens do Rio Capibaribe, neste domingo (10), para divulgar o local onde será executada a primeira obra do Parque Capibaribe. O trecho escolhido tem cem metros de extensão, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, e foi batizado Jardim do Baobá numa homenagem à árvore gigante que cresceu na beira do rio.
Quando estiver pronto, provavelmente em outubro de 2016, o lugar terá mais árvores, balanços para adultos e crianças, calçadas apropriadas para ciclistas e pedestres, mesa para lanche coletivo e bancos de madeira com encosto para a contemplação da paisagem. Tudo isso, em volta de um pé de baobá, com 15 metros de altura, copa com dez metros de diâmetro e tronco de cinco metros de diâmetro, tombado como patrimônio do Recife desde 1988.

BAOBA

A obra está prevista para começar no fim deste mês, com prazo de cinco meses para execução. “É o início da transformação do rio no Parque Capibaribe”, diz o arquiteto paisagista Alexandre Campelo, um dos integrantes do Inciti, grupo de Pesquisa e Inovação para as Cidades da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que está desenvolvendo o modelo do parque, a pedido da Prefeitura do Recife.
De acordo com o arquiteto, a intervenção no local é simples, para preservar as característica naturais. "Depois, o Jardim do Baobá será conectado ao Parque da Jaqueira e a outro trecho do rio, entre as Pontes da Capunga e da Torre, no lado das Graças, que também será organizado", declara.
Painéis foram colocados num muro para mostrar imagens projetadas do Jardim do Baobá, que fica entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, por trás da antiga Estação Ponte D’Uchoa. Fotografias de bichos que habitam o Capibaribe também estavam expostas, com curiosidades sobre os animais.
Quem leu ficou sabendo que os saguins fazem parte do grupo de primata com mais casos de gêmeos, que a saracura-três-potes canta em dueto e que o savacu (outra ave) vive de noite e dorme de dia. “Uma ideia maravilhosa, é preciso ensinar às pessoas a importância de valorizar e preservar a natureza”, declara a enfermeira aposentada Madalena Andrade.
“Graças a Deus o poder público está incluindo a natureza nessa selva de pedra da cidade, com esse projeto do parque”, continua Madalena Andrade. “Nunca tinha visto esse baobá inteiro, ele era confinado e só a copa ficava à mostra”, destaca.
O casal Caio César Moura e Maiara Evangelista veio da cidade de Olinda para aproveitar a brincadeira ao ar livre com os filhos Bento, 2 anos, e Antônio, de 8 meses. “Criança precisa de espaço para correr”, observa Maiara. “Esse baobá é um espanto para quem vê a árvore pela primeira vez”, acrescenta Caio César, aprovando a iniciativa.

“Pela quantidade de gente no local dá para sentir que é grande  a carência desse tipo de espaço de lazer na cidade”, afirma Caio. O projeto do Parque Capibaribe prevê a ocupação das duas margens do rio, da Várzea (Zona Oeste) ao Centro, totalizando 30 quilômetros de extensão.
O parque terá influência sobre 42 bairros do Recife e a expectativa é beneficiar 445 mil pessoas diretamente, com passeios, ciclovias, áreas de estar, espaços para contemplação, passarelas e píeres no rio, além de plantio de mais árvores.
Alexandre Campelo esclarece que o Parque Capibaribe será implementado aos poucos, em função dos recursos disponíveis, e deverá atravessar gestões municipais. "É interessante a população se engajar e exigir sua implantação", diz o paisagista.

No futuro, a ideia é conectar o Parque Capibaribe com os demais espaços de lazer do Recife e transformar a capital pernambucana numa cidade-parque. "O poder de penetração desse projeto é muito grande na cidade e isso agrega valor econômico ao município", declara.

JC Cidades

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