sábado, 23 de abril de 2016

Praças de Burle Marx classificadas como jardim histórico no Recife

O paisagista Burle Marx teve 15 projetos de jardins públicos preservados no Recife. Ele trabalhou na cidade de 1934 a 1937

Praça de Casa Forte é o primeiro projeto de jardim público do paisagista Burle Marx / Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Praça de Casa Forte é o primeiro projeto de jardim público do paisagista Burle Marx

Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Quinze praças públicas projetadas ou reformadas pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) no Recife receberam da prefeitura a classificação de jardim histórico. Na prática, isso significa que as áreas verdes estão protegidas por lei e qualquer intervenção nesses locais depende de autorização prévia.

A lista inclui as Praças de Casa Forte, Euclides da Cunha (Madalena), da República com os Jardins do Palácio do Campo das Princesas, do Derby, Ministro Salgado Filho (Aeroporto), Faria Neves (Dois Irmãos), Pinto Damaso (Várzea), do Entroncamento, Chora Menino (Paissandu), Maciel Pinheiro (Boa Vista), Dezessete (Santo Antônio) e Artur Oscar (Arsenal da Marinha), Largo das Cinco Pontas (São José), Largo da Paz (Afogados) e o jardim da Capela do Parque da Jaqueira.


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Praça de Casa Forte, primeiro projeto de jardim público de Burle Marx no Recife

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O Decreto n° 29.537/2016, publicado no Diário Oficial do Município com a lista dos Jardins Históricos de Burle Marx, também estabelece a criação de um grupo para elaborar o Plano de Gestão e Conservação das praças. A comissão vai definir normas para manutenção, uso e ocupação específicas para cada uma das praças.

Além da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, deverão fazer parte da comissão técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco e do Comitê Burle Marx.


Uma das funções do grupo é definir quais praças precisam de obras de restauração para recuperar o projeto original do paisagista ou de adequações para atender as necessidades atuais dos moradores. “É preciso observar como a população interage com os esses espaços”, afirma Glória Brandão, assessora jurídica da secretaria.

Das 15 praças, seis foram tombadas pelo Iphan em junho do ano passado – Casa Forte, Euclides da Cunha, da República com os Jardins do Palácio do Campo das Princesas, do Derby, Ministro Salgado Filho e Faria Neves. “O tombamento federal serviu de impulso para a prefeitura reconhecer os outros nove jardins”, avalia a arquiteta Ana Rita Sá Carneiro, coordenadora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco.

De acordo com Ana Rita, a Praça Artur Oscar, no Bairro do Recife, já perdeu o projeto de jardim de Burle Marx, mas a proposta pode ser resgatada. Também estão descaracterizadas a Praça Chora Menino e o Largo da Paz, diz ela. O projeto do famoso paisagista para a Praça Pinto Damaso não foi implantado, mas existe e pode ser adaptado à área de lazer.

“Ele tinha a preocupação com o uso que a população daria aos espaços. E isso vai continuar com o trabalho de agora”, diz Ana Rita. O tombamento das praças e a classificação dos logradouros como jardins históricos levou em consideração o Inventário dos Jardins de Burle Marx no Recife, elaborado pelo Laboratório da Paisagem.

Entre os cuidados com as praças, a arquiteta destaca a necessidade de treinamento dos jardineiros. “Não pode ser qualquer tipo de jardineiro para trabalhar nos Jardins Históricos de Burle Marx”, alerta. Os 15 jardins passam a fazer parte do Sistema Municipal de Unidades Protegidas do Recife.

Nascido em São Paulo e filho de uma pernambucana, Roberto Burle Marx dirigiu o Setor de Parques e Jardins da Diretora de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, de 1934 a 1937. É considerado um dos maiores paisagistas do século 20.

JC Cidades

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