quarta-feira, 20 de abril de 2016

Projeto quer reativar um velho caminho entre Recife e Olinda

A proposta prevê uma trilha para ciclistas e pedestres, da Ponte do Limoeiro, no Recife, até a Praia dos Milagres, em Olinda

As ruínas do Forte do Buraco ficam no istmo, um velho caminho que unia o Recife a Olinda / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

As ruínas do Forte do Buraco ficam no istmo, um velho caminho que unia o Recife a Olinda

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Cleide Alves

Já imaginou sair do Bairro do Recife e chegar na Cidade Alta de Olinda percorrendo um velho caminho entre o Rio Beberibe e o mar, como se fazia no passado? Pois se prepare, porque o istmo que ligava as duas cidades vai sair da penumbra para integrar um roteiro turístico-cultural.
A proposta, simples e viável, prevê um passeio para bicicletas e pedestres, batizado ciclotrilha, da Ponte do Limoeiro (Recife) até a Praia dos Milagres (Olinda), com 3,5 quilômetros de extensão, passando por trás da Escola de Aprendizes Marinheiros e da Vila Naval. Uma balsa com o apoio de dois píeres fará a conexão no trecho onde o istmo foi quebrado.


O projeto se completa com a sinalização, conservação e paisagismo do Forte do Buraco, uma fortaleza do século 17 construída durante o período holandês no Brasil e atualmente escondida por mato e árvores. Para garantir a segurança, haverá iluminação noturna e em cada extremidade da rota será instalado um posto policial.

Se tudo der certo, o projeto Reconexão Turística Recife-Olinda entrará em operação no primeiro trimestre de 2017, diz o secretário de Turismo, Lazer e Esportes de Pernambuco, Felipe Carreras. “Os recursos estão assegurados com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)”, afirma.

Ele pretende lançar o edital para elaboração do projeto executivo no fim de maio e começar a obra em setembro, com previsão de seis meses para execução. O orçamento estimado é de R$ 3,5 milhões, de acordo com estudos preliminares.

“Nosso desafio é resgatar o istmo para uso público, com os cuidados históricos e ambientais que o lugar exige”, diz o engenheiro Cláudio Marinho, proprietário da empresa de consultoria Porto Marinho, contratada pela secretaria para fazer o estudo básico do projeto, com a Fundação Gilberto Freyre.

Cláudio Marinho e Felipe Carreras esclarecem que não está programada obra de restauração do Forte do Buraco, em ruínas depois de ter sido parcialmente demolido pela Marinha na década de 1950. Basicamente haverá a limpeza do mato e a retirada de paredes de alvenaria construídas ilegalmente.
Em vez de restaurar – intervenção cara – o estudo sugere o aproveitamento da fortaleza de outra forma. Com o uso das novas tecnologias, imagens serão projetadas nas ruínas para contar a história do istmo e desse antigo reduto de defesa do Porto do Recife.

“É uma história fascinante num mundo esquecido, porque o istmo tornou-se invisível para a cidade”, observa Cláudio Marinho. Pesquisando sobre o lugar, a Porto Marinho e a Fundação Gilberto Freyre descobriram, por exemplo, que piratas ingleses ocuparam o istmo em 1595, no século 16.

No caminho que será descortinado para a população há relatos de combates entre corsários e portugueses e entre holandeses e portugueses. “São camadas de história acumuladas ao longo de cinco séculos. Usaremos a tecnologia para reviver tudo isso”, adianta.

O ataque dos corsários está detalhado no livro Piratas no Brasil – As Incríveis Histórias dos Ladrões dos Mares que Pilharam nosso Litoral, comenta Cláudio Marinho. E ocorreram no lugar onde os holandeses ergueram o Forte do Buraco, em 1630, num areal de 10 hectares, maior que o Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife.

O roteiro traçado conecta a Praça do Marco Zero, a Igreja do Pilar (ocupa o lugar do Forte de São Jorge, do século 17), o Forte do Brum, a Cruz do Patrão, o Forte do Buraco e a Igreja dos Milagres, onde havia um reduto militar no século 17.

Cláudio Marinho explica que o istmo será aberto com um agenciamento mínimo. Futuros empreendedores, autorizados pelo Porto, se encarregarão da manutenção da ciclotrilha. A retirada do lixo – aliás, muito lixo e espalhado em todo canto – é de responsabilidade das Prefeituras do Recife e de Olinda, informa Felipe Carreras.

O acesso, hoje, é feito por mar (saindo de barco pela Ponte do Limoeiro não leva mais do 15 minutos) ou por terra, pela Praia dos Milagres. “Se o forte estivesse organizado, seria muito bom, a gente traria muitos turistas para cá”, diz o barqueiro Antônio da Silva Filho.

Comunidade pobre instalada em Olinda, a Ilha do Maruim é contemplada na proposta da Reconexão Turística Recife-Olinda, diz Cláudio Marinho. “Além de resgatar a história e promover o turismo, há o empreendedorismo social envolvendo a população”, declara.


O projeto também está interligado com a ciclovia projetada para a Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, e com o futuro memorial em homenagem ao cantor Chico Science (1966-1997) ao lado da Cruz do Patrão, monumento do século 18 escondido na zona portuária, diz Felipe Carreras.

JC Online

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