terça-feira, 5 de abril de 2016

Via Mangue custou caro e foi pensada apenas para o automóvel. Mas funciona!


Ela demorou mais de dez anos para virar realidade, custou caríssimo – R$ 500 milhões, com os aditivos de contrato – e foi pensada, em pleno século 21, para atender exclusivamente à insana necessidade de espaço dos automóveis. Isso é fato. Mas a Via Mangue tem cumprido com sua função, de corredor viário expresso da Zona Sul do Recife, apesar de tantos atropelos e polêmicas. Não se pode negar. Dois meses e meio depois de entrar totalmente em operação, a via tem conseguido facilitar o tráfego de passagem do bairro de Boa Viagem e já absorveu, em média, 35% do volume veicular de vias como as Avenidas Boa Viagem e Conselheiro Aguiar. São 53.400 veículos por dia utilizando o corredor.
Os benefícios da circulação na Zona Sul não são sentidos apenas por quem trafega pela Via Mangue. Especialmente na pista leste (sentido subúrbio-Centro), no horário de pico da manhã. Quem continua utilizando a Avenida Boa Viagem para sair da Zona Sul do Recife e do município de Jaboatão dos Guararapes, por exemplo, hoje encontra um caminho livre, com poucas retenções. Na direção contrária, os ganhos não são novidade, já que a pista oeste (sentido Centro-subúrbio) foi entregue mais de um ano antes da leste.
Na manhã desta segunda-feira (4/4), no pico das 8h, o Blog De Olho no Trânsito fez o percurso de 13 quilômetros entre o Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, quase no limite do Recife com Jaboatão, e a sede do jornal, na Rua da Fundição, em Santo Amaro, área central do Recife. Foram duas equipes: uma seguiu pela Avenida Boa Viagem e a outra pela Via Mangue, a partir da marginal do Canal do Jordão, na mesma altura do Parque Dona Lindu. Os dois roteiros foram feitos sem percalços, com poucos pontos de retenções. Mas a equipe que utilizou a Via Mangue chegou cinco minutos à frente. Foram 25 minutos de viagem contra 30 minutos da equipe que optou pelo antigo caminho: Avenidas Boa Viagem e Antônio de Góis, no Pina.

Fotos: Guga Matos/JC Imagem
Fotos: Guga Matos/JC Imagem

Como previsto, as retenções enfrentadas na Via Mangue foram antes de entrar no corredor, ainda na marginal do Canal do Jordão, e no Túnel do Pina. No percurso pela beira-mar, a viagem também foi tranquila, com registro de retenções apenas na Avenida Antônio de Góis. A programação semafórica, entretanto, está dividida quase que igualmente para o tráfego que sai do túnel e o que vem da Antônio de Góis (56 segundos de verde para o primeiro e 54 para o segundo).
Os números da mais recente contagem de veículos realizada pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) confirmam o que a reportagem constatou nas ruas. A Via Mangue tem atraído veículos cada vez mais. Quando a pista leste foi liberada, em janeiro, 15 mil veículos trafegavam por ela ao dia. Agora já são 19.400. O mesmo crescimento também é percebido na pista oeste: o volume de tráfego aumentou de 33 mil para 34 mil ao dia, após a abertura da pista leste.

Via Mangue_Guga
“Reconhecemos que o corredor precisa de ajustes para conseguir atrair ainda mais condutores, mas tem funcionado para aquilo que foi projetado. Nossa expectativa era de que absorvesse mais veículos da Avenida Boa Viagem do que da Avenida Conselheiro Aguiar e é o que está acontecendo. Absorveu 34,5% do tráfego da Avenida Boa Viagem e 20,2% da Conselheiro Aguiar”, afirma a presidente da CTTU, Taciana Ferreira.
De forma geral, mil veículos deixaram de circular na Via Mangue, de acordo com a segunda contagem de tráfego. Eram 73.500 veículos e agora são 72.500. Mas a presidente da CTTU tem uma explicação para a queda: “Há duas razões. A primeira é que a contagem que fazemos das duas pistas leva em consideração os veículos que entram no começo e saem no fim do corredor. E como a pista leste tem saídas e entradas, muitos veículos ficam no percurso e não são contabilizados. Em segundo lugar, a falta de sinalização de acesso à Via Mangue atrapalha”, explica.


Fotos: Ashelley Melo/JC Imagem
Faixa Azul da Conselheiro Aguiar, que seria prolongada pela Avenida Antônio de Góis, no Pina, foi adiada

SINALIZAÇÃO PARA ATRAIR MAIS VEÍCULOS E FAIXA AZUL NA ANTÔNIO DE GÓIS ADIADA
Para atrair cada vez mais veículos para a Via Mangue, especialmente para a pista leste (sentido subúrbio-Centro), a CTTU garante que até o fim do semestre estará implantando a sinalização indicativa de acesso ao novo corredor. Assim, mais motoristas saberão que existe uma opção rápida para sair da Zona Sul.
É o chamado plano de orientação de tráfego, que a CTTU não conseguiu traçar e implantar antes do início da operação total do corredor, como deveria ser. “De fato, não tínhamos como pensar nisso porque estávamos voltados para abrir a pista leste. Todos sabem que foi necessário interligar o corredor ao sistema viário de Boa Viagem e do Pina, o que exigiu muitos estudos. Mas estamos providenciando e até junho ele estará nas ruas”, garantiu a presidente do órgão, Taciana Ferreira.
A expectativa da CTTU é que, com acessos mais convidativos, a Via Mangue absorva ainda mais veículos que hoje estão utilizando as Avenidas Boa Viagem e Conselheiro Aguiar para sair da Zona Sul. E, assim, o volume de tráfego na Antônio de Góis (que recebe os veículos dessas duas avenidas) diminua, reduzindo as retenções na via.
O que também deverá esperar para ser implantada é a Faixa Azul (exclusiva para ônibus) da Antônio de Góis, um prolongamento do equipamento existente na Avenida Conselheiro Aguiar. A Faixa Azul a ser implantada teria 800 metros, indo até a altura do Túnel do Pina.

De Olho no Trânsito - JC

Nenhum comentário:

Postar um comentário