segunda-feira, 16 de maio de 2016

Além de atrasados, repletos de ajustes. Com vocês, os terminais de Abreu e Lima e Joana Bezerra


Não foi pensada a entrada segura no terminal dos ônibus que entram pela BR-101, vindos de Igarassu. Um muro foi derrubado e agora está sendo refeito. Outro será retirado para criar o caminho. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

Não foi pensada a entrada segura no terminal dos ônibus que entram pela BR-101, vindos de Igarassu. Um muro foi derrubado e agora está sendo refeito. Outro será retirado para criar o caminho. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

Além de atrasados, repletos de ajustes. Essa é a realidade dos terminais integrados de ônibus de Abreu e Lima, no Grande Recife, e Joana Bezerra, na área central da capital. Juntos, os dois somam quase R$ 30 milhões em investimentos públicos e pelo menos seis anos de atrasos e adiamentos. Há mais de um ano praticamente prontos e parados, as unidades agora – às vésperas de serem inauguradas – passam por correções de construção para facilitar a operação, que não foram pensadas nem na época de projeto, muito menos na construção. Ajustes que custam dinheiro e, o que é pior, adiam a inauguração, prejudicando mais de 80 mil pessoas.
“São erros que expõem a total falta de sintonia entre quem projeta o TI e quem pensa a operação”,
Operador do sistema

“Erros que expõem a total falta de sintonia entre quem projeta o TI e quem pensa a operação”, resume um operador do sistema, sem se identificar. No TI Abreu e Lima, esqueceram, acreditem, do acesso dos ônibus ao terminal. Os ônibus que trafegam pela BR-101 Norte, no sentido Igarassu-Macaxeira, não tinham um acesso seguro. O que foi construído ficava numa curva. O mesmo aconteceu com os ônibus que saem do TI da Macaxeira em direção ao novo terminal: não têm uma entrada para a unidade. Terão que fazer um retorno na PE-15, nas imediações do Cemitério de Paulista, prolongando o percurso em pelo menos três quilômetros.

Os ajustes só foram vistos nos testes com os BRTs e ônibus comuns. Passarelas davam acesso gratuito ao terminal. Foi preciso instalar um bloqueio
Os ajustes só foram vistos nos testes com os BRTs e ônibus comuns. Passarelas davam acesso gratuito ao terminal. Foi preciso instalar um bloqueio

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“O projeto previa uma alça para lançar os ônibus da BR-101 (sentido Macaxeira-PE-15) diretamente no terminal, mas não fizeram no começo, depois esqueceram e, recentemente, viram que não havia recurso”, reclama outro operador. Previsto para atender a 40 mil passageiros por dia, o TI de Abreu e Lima é importante para o sistema por ser estrutural, estando localizado na bifurcação da BR-101 com a PE-15. Tem a missão de interligar o Norte do Grande Recife ao TI da Macaxeira (hoje os passageiros que saem de Abreu e Lima, por exemplo, precisam ir até o TI Pelópidas Silveira, em Paulista, para chegar ao TI da Macaxeira), desafogando o Pelópidas e, principalmente, o TI da PE-15. E, assim, permitindo a entrada dos passageiros de Olinda no SEI (Sistema Estrutural Integrado).
Os erros não param por aí: a plataforma de embarque e desembarque do BRT ficou desnivelada com o piso do veículo e teve que ser corrigida. O complexo de passarelas que dão acesso ao TI e permitem a travessia da PE-15 também apresentou falhas. A passagem sobre a rodovia estadual dava acesso direto ao terminal, sem cobrança de passagem. Um bloqueio teve que ser instalado no local e exigirá a presença de um funcionário.

Uma nova alça de acesso dos ônibus está sendo construída às pressas
No TI Joana Bezerra, uma nova alça de acesso dos ônibus está sendo construída às pressas


O gradil construído há mais de um ano também está sendo destruído para dar lugar a um portão
O gradil construído há mais de um ano também está sendo destruído para dar lugar a um portão

No TI Joana Bezerra, os ajustes também têm atrasado a entrega. Depois de mais de um ano quase pronto e parado, foi descoberto que o acesso deixado para os ônibus era estreito demais para que saíssem da unidade e uma alça teve que ser construída às pressas. A urgência é tanta, já que a estrutura do terminal se degrada, que são os empresários de ônibus (Urbana-PE) que estão bancando a obra, no valor R$ 400 mil. Um muro também está sendo destruído para corrigir a angulação do giro dos coletivos na saída – esse ajuste custeado pelo Estado.
A Secretaria das Cidades, responsável pelas obras dos dois TIs, admite os ajustes e diz que eles são necessários, mas sem falar das razões para tantos erros nos projetos. Nenhum representante quis dar entrevista e, por nota, a secretaria explicou apenas que a previsão de inauguração é no final do mês para o TI Joana Bezerra e em junho para o TI de Abreu e Lima. E isso tudo se a chuva deixar.

De Olho no Trânsito - JC

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