quinta-feira, 26 de maio de 2016

Avenida Sul continua à margem de qualquer investimento do poder público


Degradação para todo lado. Tanto para carros como para ônibus. Fotos: Diegro Nigro/JC Imagem

Degradação para todo lado. Tanto para carros como para ônibus. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

Ligação imprescindível entre a área Sul da Região Metropolitana do Recife e o Centro da capital, a Avenida Sul é um corredor esquecido pelo poder público. De grande potencial comercial e importância viária, mas ignorado por todos. E não é de hoje. Sempre viveu à margem dos investimentos. Promessas e mais promessas já foram feitas para reurbanizar não só a via, mas todo o entorno, um dos mais degradados e violentos do Recife. Nunca, entretanto, nenhuma delas vingou e o corredor segue sofrendo com o trânsito pesado quase o dia inteiro – são 30 mil veículos trafegando por ele diariamente – e os inúmeros problemas.

Nem mesmo o fato de ser o primeiro e até hoje único corredor exclusivo segregado fisicamente do tráfego de automóveis do Recife – a Avenida Caxangá é um corredor separado apenas por uma faixa exclusiva, com tachões, que não impedem a entrada dos veículos particulares – dá status à Avenida Sul. Ela continua sendo um velho patinho feio. O corredor, aliás, mesmo degradado e pequeno – está implantado em pouco mais de um quilômetro dos três quilômetros de extensão da via –, oferece uma alta velocidade comercial aos 225 ônibus que rodam nele: 30 km/h. Os benefícios para o transporte coletivo urbano, entretanto, param por aí. O corredor, assim como o restante da via, é degradado e não oferece qualquer conforto aos 113 mil passageiros que usam as 30 linhas que passam por ele.

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“É um corredor extremamente importante e não dá para imaginar isso aqui sem ele. Seria o caos. Mesmo assim, sujo, perigoso, com esses restos de estações no meio, ele agiliza muito a vida da gente que usa o ônibus. Seria bom que melhorassem”, defende o fisioterapeuta Jailson Carlos da Silva, que mora no Coque, comunidade próxima à Avenida Sul, e utiliza o corredor de ônibus todos os dias. André Melibeu, diretor de Operações do Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT), também faz defesas à via exclusiva para os coletivos. 

“Ele é fundamental para o sistema porque, mesmo com as paradas, permite que os ônibus desenvolvam velocidades de até 30 km/h, o que é muito. Melhor seria se fosse interligando com a Faixa Azul da Avenida Mascarenhas de Morais (Imbiribeira), como está sendo estudado pelo município”, defende.

Mas, tirando os benefícios proporcionados aos ônibus pelo corredor, no restante, a Avenida Sul é um desastre. Mesmo com quatro faixas para o tráfego individual – as outras duas compõem o corredor de ônibus –, a via acumula congestionamentos, buracos e alagamentos. E, principalmente, reclamações. “Tudo aqui é ruim, infelizmente. É sujo, degradado e perigoso, seja para motoristas de carro ou passageiros de ônibus, ainda mais para pedestres. Trabalhamos trancados e quem circula a pé, de ônibus ou de carro anda com medo”, diz o técnico em refrigeração Josimário Vieira, que trabalha numa empresa às margens da via.

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A Prefeitura do Recife não quis falar sobre a conexão entre o corredor de ônibus da Avenida Sul e a Faixa Azul da Imbiribeira. Por nota, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) confirmou estar realizando um estudo sobre a ligação, mas que as análises ainda estão em fase inicial e, por isso, a conclusão do projeto não está prevista no cronograma da gestão municipal. 

Também por nota, a Secretaria de Infraestrutura disse não ter projetos previstos para a via. 

Já a Emlurb informou, mais uma vez por nota, que recuperou 100 placas de concreto na via e está levantando futuras ações necessárias. 

A esperança de uma possível reurbanização da área seria o Novo Recife, polêmico projeto que prevê a edificação do Cais de Santa Rita, mas que enfrenta obstáculos judiciais.

De Olho no Trânsito - JC

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