sexta-feira, 20 de maio de 2016

Banco Mundial abandona termo "país em desenvolvimento"

São Paulo - A última edição dos Indicadores do Desenvolvimento Mundial (WDI), lançada pelo Banco Mundial nesta semana, traz uma mudança importante.

A instituição não vai mais separar os países entre "desenvolvidos" (de renda alta) e "em desenvolvimento" (de renda baixa ou média). O gerente de dados Neil Fantom afirma que a distinção ficou "menos relevante".

Um dos motivos é que a pobreza absoluta caiu acentuadamente nas últimas décadas: só entre 1999 e 2011, último ano para o qual há dados disponíveis, foi de 30% para 14,4% da população mundial.
Hoje, os países se distribuem no que parece mais um contínuo do que duas bolhas estanques, o que fica ainda mais claro em relação a alguns índices como mortalidade infantil e taxas de fertilidade, que melhoraram de forma acentuada (veja a convergência). 

"É justo dizer que o mundo mudou tanto que os termos "desenvolvido" e "em desenvolvimento" estão sobrevivendo para além do uso para o qual foram criados", já dizia a carta anual de 2014 da fundação de Bill e Melinda Gates.

Fronteira de Estados Unidos e México na altura do Arizona: o que faz de um país desenvolvido?

© Amanda J. Crawford/Bloomberg Fronteira de Estados Unidos e México na altura do Arizona: o que faz de um país desenvolvido?

Em novembro do ano passado, Tariq Khokhar e Umar Serajuddin, dois cientistas de dados do Banco Mundial, escreveram sobre o tema em um blog oficial.

O problema, segundo eles, é que colocar dezenas de países extremamente diferentes sob um rótulo único às vezes mais atrapalha do que ajuda:

"Agrupar países de renda baixa e média como 'mundo em desenvolvimento' coloca países como o Malawi (PIB per capita de US$ 250) no mesmo grupo do México (PIB per capita de US$ 9.860). Essa é uma diferença de quase 40 vezes dentro do mesmo grupo".
Curiosamente, a Organização das Nações Unidas utiliza os termos várias vezes nos documentos das Metas do Milênio mesmo sem ter uma definição oficial para o que eles significam.

O FMI diz que leva em conta renda per capita, diversificação das exportações e integração no sistema financeiro na sua divisão, mas destaca:

"A classificação não se baseia em nenhum critério estrito, econômica ou de outra natureza, e evoluiu ao longo do tempo".

 
Exame.com

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