sexta-feira, 13 de maio de 2016

Casarão histórico estará de portas abertas para visitação do público no Recife

Batizado de Villa Ritinha, casarão na rua da Soledade, no Centro do Recife, passa por restauração



Leo Motta/Folha de Pernambuco

Em pouco mais de um mês, um casarão histórico, no Centro do Recife, estará de portas abertas para visitação do público. Batizado de Villa Ritinha, o imóvel na rua da Soledade dará partida a uma espécie de aventura guiada, convidando as pessoas a conhecerem de perto cada etapa do processo de restauração, que já acontece há cerca de um ano.

Datado de 1840, o reduto português promove uma nova descoberta a cada cômodo, ostentando arte, beleza e os costumes da época. É a história viva, antes esquecida em uma das vias mais tradicionais da Cidade. Agora, a missão assumiu um ritmo acelerado, com jornadas de até 12 horas de trabalho e um time de 25 profissionais, entre arquitetos, restauradores e especialistas.

    Tudo deve dar lugar a um conjunto de cultura e lazer, voltando a ter vida. A ideia segue na contramão do quadro de abandono encontrado em grande parte dos imóveis seculares do Recife. A situação já foi mostrada pela Folha de Pernambuco, apontando a carência de projetos para mudar essa realidade.




    Na mesma semana do desabamento de um sobrado na rua da Glória, o telhado de outro prédio antigo veio ao chão, desta vez na rua do Progresso. A inspiração agora vem de um alemão, que encontrou em Pernambuco a chance de escrever uma nova página em sua trajetória.


    “Estava procurando um lugar para morar e, de repente, tudo mudou. Percebemos a importância de preservar esse capítulo único das raízes da terra. O desafio é grande, mas estamos encarando com muito carinho e responsabilidade”, revelou o art designer Klaus Meyer, idealizador da proposta.

    Ele mostra o cenário diferente que hoje pode ser encontrado na casa, que soma mais de 1,1 mil metros quadrados. 

    Com a remoção da antiga tinta nas paredes, degradadas pelo tempo, afrescos de rara beleza foram surgindo. Além dos elementos lusitanos, a inspiração traz recursos franceses, belgas e de outras partes do mundo. Painéis em azulejos, peças em madeira de lei e todo um apanhado de tradição e religiosidade, a exemplo de uma singela capela no jardim.

    “A propriedade abrigava grandes barões do açúcar. É um legado do passado que está ao nosso alcance”, afirmou Klaus. A ideia é de criar um café bar, um bistrô, uma galeria de arte, auditório para encenações teatrais, além de sala para concertos. E, por falar em música, notas e instrumentos músicas podem ser encontrados em imagens espalhadas pela casa.

    Nas escadarias circulares, os desenhos também chamam a atenção. Janelas e portas de mais de quatro metros de altura e 120 quilos também se mostram como elementos únicos. “Hoje já registramos mais de 50% do projeto pronto. Não consigo me desvencilhar desse lugar. É mágico”, reforçou o empresário, que já investiu cerca de R$ 4 milhões para alimentar o sonho.

     Marcílio Albuquerque, da Folha de Pernambuco

    Um comentário: