terça-feira, 10 de maio de 2016

Compesa discute geração de energia limpa em Estações de Tratamento de Esgoto

  • ETe Compesa 

    O lodo que hoje é descartado nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) pode ser transformado em insumo essencial para o funcionamento dessas próprias unidades. A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) está estudando uma possibilidade para que as ETEs que vierem a ser construídas ou as já existentes sejam equipadas para produzir energia limpa a partir do biogás, desde que tenham os requisitos técnicos para isso. A medida reduziria os gastos da companhia com energia elétrica, além de ser uma atitude ambientalmente responsável. 
    A proposta será discutida no Workshop Produção e Aproveitamento Energético do Biogás nas ETEs da Compesa, na próxima terça-feira (10), às 9h, no auditório da Escola Politécnica de Pernambuco (Poli/UPE), no Benfica, Recife. A ideia do corpo técnico da Compesa é viabilizar o aproveitamento do lodo como uma fonte geradora de energia. Isso seria feito a partir do esgoto puro, que é aquele que ainda será tratado antes de ser devolvido aos cursos d’água. Parte dele iria para um UASB, sigla em inglês que significa Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente. Nesse reator, seria possível extrair o Metano (CH4) e o Dióxido de Carbono (CO2), gases que são maioria na composição do biogás.
    “Teríamos a produção de biogás na própria ETE, o que é uma solução sustentável para a diversificação da nossa matriz energética”, explicou o diretor Técnico de Engenharia, Rômulo Aurélio de Souza.  
    O biogás produzido na ETE pode ser usado como fonte de energia complementar à fornecida pela concessionária de energia elétrica. Uma possibilidade seria usá-lo de forma sistemática, nos horários de pico, quando esse insumo é mais caro. A outra seria em momentos de emergência, quando há suspensão no fornecimento, os chamados apagões de energia. Poderia, ainda, ser armazenado e utilizado para alimentar unidades menores da Compesa ou estruturas que consomem pouco, como na iluminação de prédios e áreas externas.
    Na prática, o que o corpo técnico da Compesa defende é que o biogás proveniente das ETEs é uma solução verde capaz de gerar uma economia na conta de energia elétrica da empresa. Em Caruaru, no Agreste, a Estação de Tratamento de Esgoto já está com esse projeto pronto para ser executado. Da vazão de 100 litros de esgoto por segundo, seria possível gerar 200 KW de energia por dia, o que representaria uma economia de R$ 10 mil por mês para a Compesa na conta de luz da ETE Caruaru. “Temos esse projeto que já se demonstra viável. Na Região Metropolitana do Recife, outras ETEs que possuem estrutura para receber um projeto semelhante são as do Cabanga e Peixinhos”, adiantou o diretor.

    Durante o workshop, essas propostas serão amadurecidas pelos técnicos da Compesa e da Odebrecht Ambiental, parceira no Programa Cidade Saneada, e por pesquisadores, professores e estudantes das Universidade de Pernambuco (UPE) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ao final do debate, será elaborado um plano de ação construído a partir das proposições apresentadas pelos participantes.

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