quarta-feira, 11 de maio de 2016

Corredor Norte-Sul ainda não saiu do papel no Grande Recife

Avenida Agamenon Magalhães teria ramal do corredor, em 2014, mas só deve sair do papel em 2017


Ed Machado/Folha de Pernambuco


Ao lado do viaduto Independência, na avenida João de Barros, canteiro de obras foi instalado, mas construtoras desistiram do projeto

Em abril de 2013, era dada a ordem de serviço para a implantação de um corredor de Bus Rapid Transit (BRT) na avenida Agamenon Magalhães. A promessa era de transformar a principal artéria do trânsito da Capital num dos dois ramais do Norte-Sul, o que permitiria a ligação entre os terminais integrados de Igarassu, na Região Metropolitana (RMR), e da Joana Bezerra, na área central do Recife.


A conclusão era esperada para outubro de 2014, após a Copa do Mundo. Quase dois anos depois, nada saiu do papel. E nem deve começar a sair, pelo menos, até 2017. É o que prevê o Governo do Estado, que admite um caminho burocrático pela frente, mas diz que não pretende descartar o projeto por sua importância à mobilidade.

O impasse se deve à desistência do consórcio contratado para a execução de uma das etapas, o alargamento do viaduto Independência, que passa sobre a avenida João de Barros. Em outubro do ano passado, as empresas teriam alegado, entre outros motivos, demora na liberação de recursos e de aprovação dos demais projetos do ramal. Um can­­­teiro de obras chegou a ser instalado perto do elevado, mas foi desmobilizado.

A interven­­­ção no viaduto é considerada essencial para evitar o estran­­­gulamento do tráfego, que ce­­­deria uma das duas faixas de circulação existentes para o trânsito exclusivo de BRTs. O projeto é alvo de um distrato. Um processo administrativo será instaurado junto ao consórcio.

“Mas estamos tentando distensionar essa questão, aguardar no que diz respeito à cobrança da multa do contrato, já que estamos tentando conseguir o projeto executivo com essas empresas. Caso contrário, poderia gerar mais de­­­mo­­­ra. Com o projeto executivo, podemos atualizar os preços, unir aos projetos complemen­­­tares e lançar um novo proces­­­so”, detalha o secretário-executivo de Mobilidade de Pernambuco, Leonardo Cabral.

Estações

Enquanto aguarda uma solução para o viaduto, o Gover­­no do Estado se mobiliza para dar sequência ao restante do ramal da Agamenon. Já foi pu­­­blicado no Diário Oficial o aviso de homologação da empresa que venceu a licitação pa­­ra elaborar os projetos e levan­­tar os custos de pavimentação, drena­­­gem, sinalização, ilumi­­­na­­­ção pública e implantação de nove estações de BRT na aveni­­­da, so­­bre o canal Derby-Tacaruna.

Conforme a Secretaria das Cidades, há recursos garantidos para as estações e para o elevado. Mas as obras, de fato, só devem ser retomadas no próximo ano. “Não vejo como em 2016, num ano em que estamos tendo dificuldades para licitar, para contratar. Será um ano essencial para superar es­­­ses contratempos”, avalia Ca­­­bral, garantindo que se trata de um projeto do qual o Estado não pre­­tende abrir mão. “Uma linha de BRT ali na Agamenon é 100% importante para o sistema.”

Dos dois corredores de BRT em implantação na RMR, o Norte-Sul é o menos atrasado. Tem 24 das 26 estações já em funcionamento e cinco das oito linhas previstas em operação. Na altura do Shopping Tacaruna, o percurso tem uma bifurcação. Uma das rotas segue pela avenida Cruz Cabugá, chegando à rua do Riachuelo e ao Bairro do Recife. A outra é justamente a da Agamenon Magalhães.

Luiz Filipe Freire, da Folha de Pernambuco

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