terça-feira, 31 de maio de 2016

Cresce a formalização de novos negócios

Apesar do aumento do desemprego, criação de empresas individuais é a maior desde 2010




BRUNO CAMPOS

Helder Coelho e Jone Barrados: apesar da crise, abriram o Sana Beer Pub, em Olinda: apostando na crise

Empreender por oportunidade ou por necessidade? Para grande parte dos trabalhadores brasileiros que perderam seus empregos em função do agravamento da recessão econômica, o negócio próprio virou sinônimo de sobrevivência. Tanto que, no primeiro trimestre deste ano, 516.201 novas empresas foram criadas no Brasil, o maior registro para o período desde 2010 e 7,5% superior ao primeiro trimestre do ano passado, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas.

Apenas na região Nordeste, a pesquisa contabilizou a criação de 36.830 empresas no período, a segunda melhor colocação regional em número de novos negócios, com uma alta de 16,3% no comparativo ao mesmo período do ano passado. Em Pernambuco, quase 19 mil empresas foram criadas no primeiro trimestre deste ano. Se comparado ao mesmo período do ano passado, entretanto, houve uma leve queda de 0,5%.

“O aumento da abertura de empresas foi puxado pelo surgimento de novos microempreendedores individuais. Este movimento tem sido determinado, principalmente, pela perda de postos formais no mercado de trabalho (...) impulsionando trabalhadores desempregados a buscarem, de forma autônoma e formalizados, alternativas econômicas para a geração de renda”, explicaram os economistas da Serasa Experian por nota.

Foi justamente a perda do emprego que empurrou o administrador Helder Coelho para a vida de empreendedor. “Perdi o emprego na Refinaria Abreu e Lima no começo do ano passado. Ainda busquei recolocação no mercado formal, contudo, o cenário de contratações estava muito desfavorável, mesmo para quem tem curso superior. Foi então que decidi investir minha rescisão no negócio próprio”, conta. Junto com o sócio Jone Barrados, ele abriu o Sana Beer Pub, em Olinda, cidade onde os registros de novas empresas cresceram 10% no ano passado, segundo a prefeitura local.

Empresas
O número de Microempreendedores Individuais (MEIs) cresceu 14% no primeiro trimestre deste ano, ante aos três primeiros meses de 2015, de acordo com a pesquisa da Serasa Experian. Foram os MEIs os responsáveis por puxarem o resultado. No País, foram 38,5 mil novas companhias capitaneadas por Microempreendedores Individuais.

O setor de serviços continua congregando a maior parte de empresas recém-criadas - 342,9 mil empreendimentos, 63% do total de nascimentos. Nos últimos seis anos, o indicador revela crescimento na participação de empresas de serviços no total de negócios surgidos no País. Eles representavam 53,5% em março de 2010 e passaram para 63% em março deste ano. Em segundo lugar estão as empresas comerciais (28,4%) e, em terceiro, o setor industrial (8,4%).

da Folha de Pernambuco

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