segunda-feira, 2 de maio de 2016

Depredação de trens no Recife soma prejuízo de R$ 500 mil este ano

No ano passado, o prejuízo foi de R$ 1,3 milhão em gastos para reparos


Os atos de vandalismo causam prejuízo milionário ao Metrô do Recife todos os anos. Os parabrisas, janelas e vidros das portas das composições estão no topo das partes mais danificadas com as depredações. Dados da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) revelam que, nos quatro primeiros meses deste ano, já foram gastos quase R$ 500 mil no reparo dos trens danificados. No ano passado, o prejuízo foi de R$ 1,3 milhão. Em 2014, as despesas ficaram próximas de R$ 1 milhão. O Metrô do Recife tem o mapeamento dos locais onde mais acontecem os ataques e ressalta que o quebra-quebra quase sempre acontece em dias de jogos de futebol.

Sem a presença dos policiais ferroviários nas estações, os seguranças da empresa de vigilância que trabalham nos trens e nas plataformas não são suficientes para inibir os atos de vandalismo. “Além das pedras que são jogadas nos trens, as brigas que acontecem em dias de jogos são as maiores causadoras dos danos que geram altos gastos ao metrô. E, como quase nunca há punição para esses casos, os episódios voltam a se repetir com frequência”, aponta o assessor de comunicação do Metrô, Salvino Gomes. Do início do ano até o final de abril, 64 janelas, 27 vidros de portas e cinco parabrisas foram trocados.

Um dos últimos casos de violência foi registrado no domingo passado após jogo na Arena Pernambuco. Três composições foram danificadas e uma precisou sair de circulação na segunda-feira seguinte, o que gerou alteração nos intervalos entre os outros trens. De acordo com o chefe da oficina do Metrô do Recife, Roberval Guedes Peixoto, os 30 parabrisas dos 15 novos trens que chegaram no ano de 2013 já foram danificados. Os trens têm duas frentes. “Cada vidro desses que fica na frente da cabine das composições custa cerca de R$ 12 mil. Nosso trabalho aqui na oficina, nos últimos meses, está praticamente resumido a trocar vidros quebrados”, ressalta Guedes.

Atualmente, o Metrô do Recife tem uma frota de 40 trens, sendo 15 do modelo mais novo e 25 das composições mais antigas. Ainda segundo Roberval Guedes, para trocar um parabrisas de um trem novo a equipe de manutenção gasta, em média, seis horas de trabalho. “Nos trens dos modelos antigos, esse tempo aumenta para oito horas. Nesse tempo em que os trens ficam parados para reparos, muitos passageiros deixam de ser transportados”, destaca. Nos cálculos do Metrô do Recife, 1,2 mil passageiros são transportados por hora num trem. “Os trens não podem circular com avarias nos vidros. Os atos de vandalismo além de causar prejuízo financeiro geram transtornos para os passageiros”, completa Guedes.

Para tentar diminuir a quantidade de depredações e os gastos com a compra de vidros, o Metrô já pensou na possibilidade de trocar o material usado nas composições, mas o investimento também é muito alto. O valor aproximado dos vidros das janelas e das portas usados atualmente é de R$ 2 mil. Eles têm um formato sanduíche, com duas camadas de vidro e uma película no meio, para evitar a perfuração.

Fenômeno social castiga outras cidades brasileiras

O investimento no reparo dos vidros e parabrisas do Metrô do Recife pode ser superior ao gasto de outras capitais que têm o mesmo modal. O Diario tentou fazer um levantamento com os metrôs do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, no entanto, as duas cidades do Sudeste informaram que não divulgam o valor gasto com depredações no metrô. A assessoria de imprensa do Metrô Rio de Janeiro adiantou que o valor não era alto, já o Metrô São Paulo afirmou não ter interesse em divulgar o prejuízo. Em Brasília, onde a malha metroviária é de 42 km e cerca de 170 mil passageiros são transportados por dia nas 24 estações da cidade, do início deste ano até o final de abril, os custos com o vandalismo em portas e janelas chegaram a R$ 32,4 mil.

Em Belo Horizonte, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos, os atos de vandalismo provocaram um prejuízo estimado em R$ 150 mil no ano passado. A assessoria de imprensa destacou ainda que a depredação prejudica também a população. Para tentar mudar essa realidade, a CBTU-BH faz campanhas permanentes que buscam informar o usuário e estimular o cuidado com o sistema. Por ano, são quebrados aproximadamente 50 vidros de janelas e portas em Belo Horizonte. O gerente de sistemas fixos e via permanente da CBTU-BH, José Antônio Ferreira, lamenta os casos registrados. “Fica difícil entender esse comportamento. Tudo que está nas estações e trens serve ao cidadão. E tudo o que se tira de lá é sinônimo de prejuízo para quem usa o sistema.”

No Recife, segundo a assessoria de imprensa do metrô, além dos dias de jogos de futebol, as ocorrências de vandalismo aumentam em período de férias escolares. Apesar de saber onde acontece a maior parte dos casos, a direção do metrô não consegue evitá-los. Um convênio entre o Metrô do Recife e a Secretaria de Defesa Social (SDS) chegou a ser proposto para que a PM atuasse nas estações e nos trens nos dias de jogos de futebol, mas a ideia não saiu do papel. As depredações no Recife costumam acontecer no trecho entre as estações Recife, Joana Bezerra, Afogados e Ipiranga e ainda entre Tejipió, Coqueiral e Cavaleiro, na Linha Centro. Já na Linha Sul, os locais mais perigosos estão entre as estações Largo da Paz, Imbiribeira, Cajueiro Seco, Prazeres e Monte Guararapes.

Por: Wagner Oliveira - Diario de Pernambuco

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