quinta-feira, 5 de maio de 2016

Energia solar pode gerar um milhão de empregos

Projeção do estudo lançado pelo Greenpeace considera abertura de vagas para os próximos quinze anos



A geração de energia solar tem o potencial de criar mais de um milhão de empregos no Brasil nos próximos 15 anos. A projeção está no estudo “Alvorada – como o incentivo à energia solar fotovoltaica pode transformar o Brasil”, lançado pelo Greenpeace. O cenário ideal para estimular o setor inclui a redução de tributos (ICMS, Pis/Cofins, IPI e Imposto de Importação) na aquisição de placas fotovoltaicas e equipamentos, IPTU menor para quem gera energia solar e a liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para a instalação de sistemas fotovoltaicos. A estimativa é que cerca de 8 milhões de unidades poderiam gerar 41,4 MWde energia solar nos telhados de casas e comércio até 2030.

O Brasil aproveita pouco o potencial da fonte solar. A geração fotovoltaica no país é residual comparada às demais fontes, como a eólica. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima a produção de 283,5 milhões de MW por ano de energia fotovoltaica se todo o potencial solar for aproveitado. A potência gerada seria suficiente para abastecer mais de duas vezes o atual consumo doméstico de 128,8 milhões de MW por ano do país. “O potencial varia de região para região, mas o Nordeste é uma região privilegiada que tem o potencial acima da média nacional”, aponta Bárbara Rubim, coordenadora de energias renováveis do Greenpeace no Brasil.

No estudo, o Greenpeace defende medidas de estímulo à energia solar. Por exemplo: a desoneração de alguns tributos federais, estaduais e municipais que incidem sobre os componentes dos sistemas fotovoltaicos. Outra proposta é a liberação do FGTS para o trabalhador gerar a sua própria energia. A regulamentação do saque teria que ser feita pela Caixa Econômica. “Idealmente, o trabalhador teria um contrato de compra e venda de um sistema com uma empresa instaladora, apresentaria esse projeto e teria o direito de fazer o saque do FGTS”, resume Bárbara.

A energia solar fotovoltaica é uma das fontes que mais gera empregos diretos e indiretos. São postos de trabalho criados na cadeia de produção e no ciclo de instalação dos sistemas. Segundo a representante do Greenpeace, a microgeração distribuída permite a distribuição de empregos em todas as regiões. Hoje, os pequenos sistemas fotovoltaicos instalados de 20 MW empregam 600 pessoas. Esse número vai multiplicar com a instalação das usinas solares contratadas nos leilões. A estimativa é que uma usina solar de 1 GW gere 3 mil empregos. 

São empregos de engenheiros, engenheiros elétricos, arquitetos e cargos técnicos de instaladores. As regiões Nordeste, pelo potencial de geração, e o Sudeste, pela concentração econômica, são as que mais vão gerar empregos. “A mão de obra é um dos grandes gargalos para a energia solar no Brasil. Se hoje tivesse um super boom, não teria pessoas capacitadas.”

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