quinta-feira, 19 de maio de 2016

Início da venda da Eletrobras

Ministro de Minas e Energia estuda vender parte dos ativos da estatal, que foi suspensa na bolsa de NY


O Governo interino de Michel Temer demonstra pressa para resolver o problema da Eletrobras, um dos primeiros na agenda dos gestores. Nas palavras do atual ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, “há um convencimento da necessidade da desmobilização de alguns ativos da empresa”, ou seja, a venda do seu patrimônio, que abrange a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) - geradora e transmissora de energia para o Nordeste.

Ontem, a negociação de papeis da Eletrobras foi suspensa na bolsa de Nova York, por atraso na entrega de documentos oficiais. A empresa informou que não terá condições de apresentar os resultados financeiros e operacionais, impactados por perdas relativas à corrupção. A Eletrobras informou que vai recorrer, mas a decisão já prejudica a imagem da estatal no mercado. Há risco, inclusive, de credores da empresa decidirem cobrar da estatal até R$ 40 bilhões em dívidas antecipadamente, dinheiro que sairia dos cofres públicos.

Os ativos prioritários no processo de privatização da Eletrobras ainda não foram anunciados, porém especialistas do setor esperam grandes impactos no mercado de energia brasileiro. A empresa de capital aberto, controlada pela União, tem subsidiárias nas áreas de geração e distribuição de energia elétrica, além de deter 50% das linhas de transmissão do País. “A tendência é de aumento das tarifas, assim como a venda da distribuição - hoje quase 100% controlada por empresas privadas - e da transmissão, que já está 50% vendida, trouxeram mais peso ao bolso do consumidor, sem melhora do serviço”, opinou o especialista do setor elétrico, Heitor Scalambrini.

O enxugamento da empresa, na tentativa de recuperar suas perdas que, somente em 2015, geraram um prejuízo de R$ 14,44 bilhões, pode afetar diretamente a Chesf, que, no ano passado, teve prejuízo de R$ 476 milhões. “O problema é que a Chesf não tem mais nada para vender, somente a Usina de Sobradinho. O restante pertence à União que, por meio da Medida Provisória 579, prejudicou o mercado elétrico, antecipando o fim das concessões”, lembrou o diretor do instituto Ilumina, João Paulo Aguiar, se referindo à MP que obrigou a própria Eletrobras a renovar contratos de geração para forçar a redução artificial das tarifas. “O Governo deveria ter pagado R$ 14,7 bilhões de ativos não amortizados à Chesf, mas pagou apenas R$ 6,7 bi”, completou. As empresas não responderam aos questionamentos.

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