sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mitos e verdades sobre o câncer de próstata

Uma pesquisa feita pela Prostate Cancer UK, instituição de caridade dedicada à pesquisa do câncer de próstata, revelou que um em cada cinco britânicos não sabem nem que tem esta glândula. O fato é alarmante, principalmente se considerarmos que, no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). 

Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento. De acordo com o INCA a estimativa é que 61.200 homens venham a ter a doença em 2016.

Abaixo o Dr Mauricio Rubinstein, Fellow em Laparoscopia Urológica e Cirurgia Robótica na Cleveland Clinic e Mestre em Urologia – Da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, responde oito mitos e verdades sobre o câncer de próstata.

O câncer de próstata faz parte do envelhecimento do homem?

SIM, pois o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum no homem (após o câncer de pele) e ocorre em 1 a cada 7 homens, tendo seu pico de incidência aos 65 anos.
Em 2016 serão diagnosticados mais de 180 mil novos casos nos EUA e morrerão desse tipo de câncer cerca de 26 mil pacientes (dados do National Cancer Institute/EUA). Mantenha sua prevenção.

Uma dieta inadequada pode ser responsável pelo desenvolvimento do câncer na próstata?

SIM. Na grande maioria dos cânceres, já foi descoberto que uma dieta rica em gordura (saturadas) pode aumentar a incidência de câncer. No caso da próstata, isso também é valido.

Não ter sintomas urinários quer dizer não ter câncer?

NAO! A grande maioria dos casos atualmente são diagnosticados precocemente. Esses casos são diagnosticados em homens que podem não ter nenhum sintoma urinário e simplesmente descobrem através da prevenção, com a realização de toque retal e do exame sanguíneos de PSA (antigen prostático específico). Quando o câncer de próstata causa sintomas, muitas vezes se encontra em estágio mais avançado.

Nem todos os tumores na próstata precisam ser tratados?

Temos que ver isso com muita cautela. Há diversos estudos publicados que colocam como uma opção ao paciente a escolha de “observação ativa” como tratamento. Esses estudos se baseiam em casos de câncer de próstatas descobertos em sua fase inicial, quase indolentes, onde somente seriam tratados com outros métodos caso o quadro do câncer se mostrar mais agressivo em uma próxima avaliação. Isso deve ser individualizado a cada paciente e muito bem discutido com seu médico, a fim de que não se perca a chance de salvar uma vida.

Todo paciente que opera a próstata acaba com algum grau de impotência ou de incontinência urinária?

NÃO. Os tratamentos evoluíram muito e minimizaram muito o risco desses efeitos colaterais.
A Cirurgia Minimamente Invasiva, através da cirurgia Robótica, aperfeiçoou a técnica e vem alcançando melhores resultados nesse assunto. Atualmente, cerca de 95% das cirurgias para câncer de próstata nos EUA são realizadas com a utilização da tecnologia Robótica. Os aparelhos de Radioterapia também evoluíram e apresentam maior segurança atualmente.

O câncer de próstata afeta apenas homens idosos?

NÃO. O câncer de próstata apresenta seu pico de incidência entre 65-70 anos, porém, existe um aumento progressivo a partir dos 40 anos. A prevenção é essencial para um diagnóstico precoce.

Aumento da próstata é um sinal de câncer de próstata?

NÃO. O aumento de próstata chama-se Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) e ocorrerá em praticamente todos os homens com o envelhecimento. A HBP não é um fator de risco para o câncer de próstata.

O câncer de próstata é um câncer de crescimento lento, por isso não me devo preocupar?

NÃO. Há diversos tipos de câncer, e ainda não temos a resposta definitiva de qual câncer cresce lento e qual cresce e se expande rápido em nosso organismo. Todos os casos devem ser discutidos individualmente e fim de que se possa escolher o melhor para cada paciente.

Ciência e Tecnologia do JB online

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