sábado, 21 de maio de 2016

Navegabilidade do Rio Capibaribe ainda parada

Estações continuam entregues ao mato e ao abandono

Estação do Derby está abandonada / Guga Matos/JC Imagem
Estação do Derby está abandonada
Guga Matos/JC Imagem
JC Online


Está cada vez mais difícil a tão sonhada navegabilidade do Rio Capibaribe. Até quando as obras – paralisadas há pelo menos um ano – poderiam receber a boa notícia da liberação de novos recursos, o projeto segue empacado. No último dia 12 de maio, o Portal da Transparência do governo federal informou o repasse de R$ 29,9 milhões para a iniciativa, que visa transformar o curso d´água em rota navegável, para fins de transporte público. Mas a Secretaria das Cidades, que toca o programa no Estado, afirma que o valor é relativo a obras executadas em 2014 e que, portanto, nada muda no front. 

O programa já ganhou o status de lenda urbana. Sonhado pela população e defendido ao longo dos anos por políticos das mais diversas orientações, foi iniciado em 2012, pelo então governador Eduardo Campos, sob o nome de Rios da Gente. Previa a adoção de duas rotas pelo curso d´água: uma de 11 quilômetros, do Centro à Zona Oeste, e outra com 2,9 quilômetros, ligando os bairros de Santo Antônio e Santo Amaro. Um megaempreendimento de R$ 289 milhões, que os problemas gerenciais e, desde 2014, o fechamento das torneiras de recursos federais devido à crise econômica, tratou de transformar em mato e abandono.

O local onde deveria funcionar a Estação Recife, no bairro de São José, Centro, virou um estacionamento para cerca de cem veículos. “O dono do terreno apenas pede para que a gente fique aqui cuidando da área, para que não haja invasões, como é tão comum”, diz o responsável pelo estacionamento, Marconi Gomes. O pier de madeira que deveria levar à estação de embarque e desembarque, já no rio, foi destruído pela ação do tempo. Em uma nova versão do projeto, terá de ser refeito. Ou, em outras palavras, vai demandar mais recursos, uma vez que os já utilizados foram jogados no lixo.

Mais à frente, na Ilha Joana Bezerra, deveria estar sendo construído o ponto de manutenção das 13 embarcações que circulariam pelo curso d´água, transportando passageiros. Em vez disso, mais mato, mais vazio, mais abandono. Nem as placas alusivas à obra existem mais.

O cenário não muda quando se visitam as áreas onde deveriam funcionar as demais estações do projeto Rios da Gente. No bairro do Derby, área central, chegou a existir um grande canteiro de obras, com contêineres e operários. Hoje, há apenas um espaço vazio tomado pela vegetação.


No Parque Santana, na Zona Norte, o pier de madeira resistiu, mas o abandono é tamanho que até as estruturas de concreto armado da estação foram cobertas pelo mato. No bairro da Torre, nem os tapumes que cercavam o local das obras existem mais: é tudo apenas um espaço aberto, e com muito lixo espalhado. E em Apipucos, onde seria construída a última estação de embarque, apenas as máquinas que realizaram a dragagem do rio continuam no local.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, afirma que está fazendo o levantamento dos recursos destinados pelo ministério a várias obras pelo País, o que inclui o projeto Rios da Gente. “A ideia é tocar o programa, mas ainda é preciso um diagnóstico mais detalhado do que foi deixado pela gestão anterior”, diz. 

Através de nota, a Secretaria das Cidades informa que está realizando um levantamento do remanescente das obras relacionadas ao programa Rios da Gente. “Também estamos viabilizando a rescisão contratual com o consórcio construtor ETC-Brasília Guaíba. Até o final do primeiro semestre, será aberto um novo processo licitatório para a conclusão do Rios da Gente. O investimento é de R$ 190 milhões”.

JC Online

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