sexta-feira, 27 de maio de 2016

Negativa familiar ainda é entrave para doação de órgãos

  • Transplante 

    Em PE, fila de espera ultrapassa 1,2 mil pessoas
    Nos primeiros quatro meses de 2016, a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) registrou 445 doações de órgãos e tecidos. O quantitativo é 21,25% maior que o mesmo período de 2015, que totalizou 367. O aumento foi motivado, principalmente, pela doação de córnea, que cresceu 71% (de 139, em 2015, para 238, em 2016). O dado geral é animador, mas ainda é preciso continuar conscientizando a população da importância do ato, pois, em Pernambuco, cerca de 45% das potenciais doações não são realizadas por causa da recusa dos familiares, sendo o principal entrave para efetivar o ato, que pode salvar vidas.
    Para capacitar os profissionais de saúde, e incitá-los para a causa, a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) promove o 3º Simpósio Pernambucano de Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos, que traz o tema “Reflexões sobre comunicação de má notícia e entrevista familiar para doação de órgãos”. O evento ocorre no auditório do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) nesta quarta-feira (25.05), a partir das 8h30, e trará discussões sobre a espiritualidade no contexto da morte e a experiência da Espanha na comunicação de más notícias.
    “Entre os motivos da negativa familiar, está o desconhecimento da população sobre a morte encefálica e sobre a integridade do corpo após a doação. Precisamos informar que o diagnóstico de morte encefálica segue um rígido protocolo na sua confirmação e que a família receberá o corpo do ente querido íntegro para realizar todas as cerimônias de despedida. Como a doação só ocorre com a autorização de um familiar de até segundo grau, de acordo com a legislação brasileira, precisamos difundir esse tema; tirar dúvidas, mitos e preconceitos; e saber que esse ato pode salvar muitas vidas”, afirma a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes.  
    A coordenadora ainda reforça a importância das equipes de captação de órgãos e tecidos e de todos os profissionais de saúde para a efetivação do ato. “A gente precisa de profissionais capacitados para que possamos mudar a situação da fila de espera por um órgão, que conta com mais de 1,2 mil pessoas. Precisamos saber acolher os familiares, explicar toda a situação e também seguir os protocolos corretos para confirmar que aquele paciente é um potencial doador", diz Noemy.  
    TRANSPLANTES – De janeiro a abril, foram realizados, em Pernambuco, 445 transplantes em Pernambuco. Foram 3 de válvula cardíaca, 3 de rim/pâncreas, 10 de coração, 35 fígado, 68 de medula óssea, 88 de rim, 238 de córnea.
    Em 2015, foram realizados 1.348 transplantes de órgãos e tecidos. O quantitativo foi 4,13% menor que em 2014, com 1.404 procedimentos.
    ESPERA – Atualmente, a fila de espera por órgãos e tecidos no Estado computa 1.229 pessoas. Desse total, 03 aguardam por um rim/pâncreas, 12 por coração, 25 por medula óssea, 57 por fígado, 307 por córnea e 825 por rim. 

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