quinta-feira, 5 de maio de 2016

No Recife, cafés investem em produtos especiais, atraem clientes e superam crise

Setor dos cafés especiais é um dos mais prósperos até 2019, segundo Associação Brasileira da Indústria de Café / Foto: Marília Banholzer/NE10

Setor dos cafés especiais é um dos mais prósperos até 2019, segundo Associação Brasileira da Indústria de Café Foto: Marília Banholzer/NE10

Café não é tudo igual. Definitivamente, as cafeterias que apostaram em produtos especiais chegaram no Recife para mostrar que o cafezinho após o almoço evoluiu. Grãos super selecionados, cultivados em diferentes solos e regiões, entre tantas outras coisas, fazem o apreciador de café se perder entre aromas e sabores. As cafeterias ganharam uma identidade mais moderna, produtos cada vez mais "premium", atendimento especializado e frequentadores exigentes.
Na capital pernambucana, o movimento de abertura de casas especializadas em cafés diferenciados tem se fortalecido desde o fim do ano de 2014, quando novas cafeterias - inspiradas no mercado internacional, por exemplo - começaram a se proliferar nos mais diversos bairros da cidade. Nem mesmo a crise financeira que afeta o orçamento de milhares de famílias no Grande Recife tem feito o movimento cair.
O Malakoff Café Gourmet, localizado na Rua Alfredo Pereira Borba (esquina com a Av. Abdias de Carvalho), no Prado, Zona Oeste do Recife, é um desses estabelecimentos com um toque diferenciado que têm atraído todo tipo de público para tomar um bom cafezinho.


Casas de café oferecem diferentes métodos de filtragem da bebida
Foto: Marília Banholzer/NE10


O negócio, que pertence ao casal Alan Cavalcanti e Talita Marques, foi idealizado desde meados de 2014 e inaugurado em março do ano seguinte. "Abrimos no meio do furação [da economia no País] e descobrimos que existia, na verdade, uma demanda reprimida de coffee lovers [amantes de café em inglês] que não era atendida pela cafeterias tradicionais. Nosso foco são cafés especiais filtrados (coados) de maneiras diferentes", contou Talita.



Alan e Talita vêm amantes de café se rendendo ao novo mercado da bebida
Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem



Ana Grasiela disse que não abre mão de um cafezinho toda tarde
Ana Grasiela disse que não abre mão de um cafezinho toda tarde Foto: Marília Banholzer/NE10
Para garantir o produto diferenciado, Alan buscou um curso de barista e participou de um evento internacional, realizado em Belo Horizonte. Ele estudou sobre o mundo do café, os diferentes grãos, modos de preparo e hoje se sente a vontade para conversar aprofundadamente com os apreciadores da bebida. "Quem gosta de café é como quem bebe vinho, identifica-se um mais forte que o outro, se tem um toque frutado, entende a diferença entre um espresso e um coado", detalhou o empreendedor.
Consumidora de café, a fisioterapeuta Ana Grasiela Teles confessa que todos os dias, no final da tarde, para em algum lugar para apreciar um bom cafezinho. A escolha dessa terça-feira (3) foi o Malakoff Café, onde bebeu um "Pátio de São Pedro" (expresso, leite vaporizado, leite condensado e calda de chocolate) acompanhado de uma boa porção de pãezinhos de queijo. "Adorei o ambiente, o café é uma delícia e de alto nível. Voltei de uma viagem na Europa, onde as cafeterias são muito comuns, e posso dizer que o café daqui é tão bom quanto", comentou ela que esteve pela primeira vez no estabelecimento.

Quanto mais casas de cafés especiais melhor para fortalecer essa cultura. No nosso caso, a concorrência só faz nos ajudar a impulsionar esse mercado Izabela Hinrichsen, do Lalá Café
O gosto mais exigente do consumidor e a procura por sabores e experiências diferenciadas são apontados, inclusive pela Associação Brasileira da Indústria de Café, como principais fatores para o sucesso desse novo tipo de cafeteria. Uma pesquisa anual feita pela entidade, inclusive, aponta que a maioria das vendas em 2015-2019 será gerada pelo produto em grãos e pelo café moído, porém, com maior atenção aos "gourmetizados" e aos especiais de qualidade que são vistos como sinal de status.
Idealizado por mãe e filha, o Lalá Café e Loja Afetiva, localizado no Espinheiro, Zona Norte do Recife, é um dos novos points de quem curte tomar um café especial acompanhado de um boa sobremesa. Moderno, inspirado no que é encontrado em cidades europeias, o espaço é diferente do que os amantes de café estavam acostumados a frequentar - sempre tradicionais.


Socorro Batista esteve com a filha saboreando o menu do Lalá Café
Socorro Batista esteve com a filha saboreando o menu do Lalá CaféFoto: divulgação Lalá Café
Além dos sabores diferenciados pelo diversos tipo de blends oferecidos na cafeteria, a aposentada Socorro Batistas ficou encantada com a decoração do espaço. "Lugar bonito, pensado nos pequenos detalhes. Muito aconchegante, faz você querer voltar para aproveitar tudo e deixar de ir sempre no mesmo lugar", ressaltou ela que toma uma cafezinho todos os dias em casa, mas que uma vez por semana sai com as amigas para apreciar algo diferenciado.

Izabela acredita que, mesmo na crise, mercado do café só tem a crescer
Foto: Marília Banholzer/NE10


Sócia-proprietária do Lalá Café, a jovem Izabela Hinrichsen revela que a ideia de abrir um espaço voltado para os coffee lovers surgiu após um mochilão por cidades como Londres, Berlin e Paris. "A resposta dos consumidores foi muito rápida, até mais do que nós esperávamos. Outra coisa interessante é o nosso principal público. São pessoas com idades entre 17 e 38 anos, o que mostra que o mercado de café também envolve os mais jovens."


Marília Banholzer
NE10

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