quinta-feira, 19 de maio de 2016

Projeto visa calçadas verdes e acessíveis no Recife

Objetivo é padronizar os passeios públicos com nichos de vegetação e “caminhabilidade“




Úrsula Freire
No Recife, iniciativa pode ter início na rua da Graças

Andar por calçadas regulares, bem cuidadas e seguras é desejo de todos os cidadãos, um elemento básico para uma cidade que cumpre o seu papel. No entanto, a combinação de elementos é cada vez mais escassa. Apenas no Recife, são mais de 20 milhões de metros quadrados. Uma iniciativa de moradores da Zona Norte pretende servir como ponto de partida para as demais áreas da Capital. É o projeto “Calçadas Verdes e Acessíveis”, que se inspira em trabalhos desenvolvidos em outros pontos do País para criar espaços mais inclusivos. Com cerca de 500 metros de extensão, a rua das Graças, no bairro de mesmo nome, pode se transformar em um caminho modelo. A ideia é de unir esforços da vizinhança, universidades, poder público e iniciativa privada para transformar esses espaços considerados essenciais.

“Será uma articulação para padronizar calçadas de acordo com as normas do município e acrescê-las de nichos verdes, garantindo assim acessibilidade e permeabilidade. Atualmente, ainda temos um modelo que desrespeita parâmetros. Cada imóvel constrói a seu modo, prejudicando quem mais precisa”, explicou a arquiteta Cris Lacerda, uma das incentivadoras da medida. Segundo ela, a proposta se dá em formato de parceria, onde cada proprietário assina um termo de concessão, autorizando as intervenções diante do seu imóvel. “Empresas parceiras podem tornar-se aliadas, gastando pouco”, detalhou.

Ligando a rua das Pernambucanas à movimentada avenida Rui Barbosa, a rua das Graças conta predominantemente com torres residenciais, sem deixar de abrigar também o comércio. A Igreja de Nossa Senhora das Graças também é um dos marcos da via. A aposentada Auxiliadora Mendes, 64 anos, mora no local há três décadas. “Com o crescimento, se perdeu a essência de lugar feito para as pessoas”, revelou. A opinião é reforçada pelo balconista Edson Oliveira, 36. “Com mais verde, o ambiente ficará mais agradável”, disse.

A iniciativa ganhou força em algumas ruas da Vila Pompéia, na Zona Oeste de São Paulo. Em alguns pontos, degraus chegavam a ter 50 centímetros de altura para dar acesso às garagens, formando barreiras de acessibilidade.

Para a professora de Arquitetura e Urbanismo da Unicap, Clarissa Duarte, o conceito de planejamento urbano deve seguir um viés integrado, considerando aspectos econômico, social e ambiental. “É comum a população considerar como rua apenas as faixas de rolamento de veículos ou as superfícies de circulação. Porém, todos os elementos urbanos devem estar em harmonia”, explicou. Ela lembra o plano Centro Cidadão, iniciado em 2015, que busca elaborar estudos para melhoria da “caminhabilidade”.

Marcílio Albuquerque, da Folha de Pernambuco

Nenhum comentário:

Postar um comentário