segunda-feira, 9 de maio de 2016

Recifenses admitem trocar votos por emprego e dinheiro

Em um levantamento divulgado neste sábado (7) pelo IPMN, 92,9% dos entrevistados reconhecem que a população vende o voto, enquanto 3,1% dizem que não

Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo 
Ao IPMN, 77,3% dos eleitores disseram ainda que o voto não deveria ser obrigatório Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo

Apesar da postura crítica dos cidadãos diante da conjuntura nacional e dos esquemas de corrupção protagonizados por políticos, uma parcela considerável do eleitor recifense venderia o voto durante o pleito eleitoral deste ano. A constatação é observada no levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), divulgado neste sábado (7), no qual 92,9% dos entrevistados reconhecem que a população vende o voto, enquanto 3,1% dizem que não. 

Em vista disso, o estudo, encomendado pelo Portal LeiaJá em parceria com o Jornal do Commercio, elencou três tópicos – emprego, dinheiro e favor – para que os entrevistados apontassem se usariam algum deles como moeda de troca pelo voto. Quando indagados se trocariam o direito de escolher um representante político, em outubro deste ano, por emprego 16,4% dos recifenses disseram que sim e 76% não; dinheiro 10,8% sim e 80,7% não; e favores 10,6% sim e 81,2% não. 

Mesmo com a maioria dando respostas pessoais negativas, o IPMN também indagou a população sobre um contexto geral. De acordo com os entrevistados 91,7% dos eleitores usam a barganha financeira como troca ao direito de votar, 85,2% fazem isso por favores e 84,9% por uma oportunidade empregativa. A prática, no entanto, é reconhecida como crime por 86,6% dos recifenses e 79,3% consideram que quem vende o voto não tem o direito de cobrar algo do político.  

Sob a análise do coordenador da pesquisa e cientista político Adriano Oliveira, os dados são um “nítido indicador da força e do poder econômico nas eleições”. “Existe um consenso de que eleitores vendem o voto no Brasil e se eu declaro que eu posso vender meu voto significa que o parlamentar precisa ter dinheiro para comprá-lo”, pontuou, lembrando que ao contrário dos últimos anos as campanhas de 2016 deverão ser mais baratas, visto que o financiamento privado foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “A contradição, diante disso tudo, é que embora o eleitor diga que pode vender o voto, e a maioria das pessoas vendam, ele sabe que é crime”, acrescentou. 

Ao IPMN, 77,3% dos eleitores disseram ainda que o voto não deveria ser obrigatório e 84,1% afirmaram que pretendem participar do pleito municipal este ano. O levantamento realizado nos dias 3 e 4 de maio ouviu 623 pessoas. O nível de confiabilidade é de 95% e a margem de erro é de 4,0 pontos percentuais para mais ou para menos.


por Giselly Santos

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