sábado, 28 de maio de 2016

Tapioca se populariza e ganha espaço no mercado nacional

O prato típico do Norte e Nordeste, fruto de herança indígena, se popularizou e ganhou o País

Expectativa é de que sejam produzidas 55 mil toneladas de massa de tapioca este ano.  / Foto: André Nery/JC Imagem

Expectativa é de que sejam produzidas 55 mil toneladas de massa de tapioca este ano.
Foto: André Nery/JC Imagem

Bianca Bion


Gostosa, quentinha e de baixo valor calórico. Não é preciso muito para explicar o sucesso que a tapioca está fazendo. O prato típico do Norte e Nordeste, fruto de herança indígena, se popularizou e ganhou o País. Os números da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) comprovam a façanha: ano passado, aumentou em 30% o consumo da goma. Para 2016, está previsto que o crescimento se mantenha, com estimativa de produção de 55 mil toneladas de massa (em 2015 foram 40 mil toneladas), com geração de receita de até R$ 240 milhões.

A tapioca é feita com farinha extraída da fécula do vegetal. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da (Cepea), o volume de mandioca processado pela indústria de fécula no primeiro trimestre deste ano foi o maior já registrado desde 2006, com processamento de 666,5 mil toneladas, aumento de 29% frente ao mesmo período de 2015. Ano passado, a produção cresceu 17% e ultrapassou 750 mil toneladas, a maior nos últimos 25 anos. Um total de 2,55 milhões de toneladas de mandioca foi processado.


Livre de glúten, sal e gordura hidrogenada, o prato se tornou parte do cardápio de quem busca uma vida mais saudável. Para o diretor-geral da Casa Maní, empresa paulista presente em 14 estados que produz amido e derivados de mandioca, Antonio Donizetti Fadel, esta é uma das características do novo consumidor. “A demanda aumentou muito nos últimos três anos, uma média de 25%, principalmente no Sudeste e Sul do Brasil. 

Fizemos uma pesquisa com 1.300 pessoas de todas as classes sociais que comprovou que o alimento é um sucesso em todas as faixas de renda. O brasileiro substituiu o pão no café da manhã, porque é saudável e fácil de fazer”, explica Antonio, que também é diretor da Abam. Sua empresa investiu R$ 10 milhões no processo de produção e comercialização de massas prontas, apostando na tecnologia de embalagem a vácuo, que deixa o produto final sem conservantes e validade de um ano. 

Não é à toa que o consumo aumentou no Sudeste, pois os maiores produtores de mandioca, atualmente, são os Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. O Nordeste, antes conhecido pelas grandes áreas de plantação e ampla oferta do produto, sofre com a estiagem. Entre 2010 e 2016, a produção na região caiu de 8 milhões para 5,7 milhões de toneladas (-28,7%). Em Pernambuco, a produção caiu pela metade. Neste mesmo período, passou de 66 mil para 31 mil toneladas. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento.

Porém, isso não significa que a tapioca perdeu seu reinado no Estado. Em Olinda, é considerada Patrimônio Imaterial e Cultural. As tapioqueiras do Alto da Sé, na Cidade Alta, afirmam que é impossível fazer uma igual a delas. As vendedoras também perceberam o aumento no consumo, mas com um detalhe: em casa. “O pessoal passou a comer mais porque é saudável. Porém, a movimentação no Sítio Histórico diminuiu, os clientes estão preferindo fazer em casa. Só que a tapioca de Olinda é a melhor do mundo, garanto que em nenhum lugar é igual”, afirma Severina de Souza, a dona Bia, que trabalha há 30 anos no Alto da Sé. 

Hemlich (divina em alemão) é como a turista de Santa Catarina Dorly Morsch Krehnke definiu a tapioca do Alto da Sé. Ela visitou a Cidade Patrimônio pela primeira vez recentemente. “Há 5 anos, em Guaramirim, não sabíamos nem o que era isso. Começou a chegar lá de forma fraca recentemente. Só que não é nada comparada a de Pernambuco. Não tem tantas opções de recheio como aqui”, afirma. 

A jornalista Amanda Meira é uma das pessoas que incluiu a tapioca no cardápio pensando na saúde. “Eu substituí o pão, porque causava inchaço. Já sou adepta da reeducação alimentar há três anos para perder peso. Pesquisand na internet descobri os benefícios da tapioca, depois procurei uma nutricionista. Hoje, como uma vez por dia, seja no trabalho, ou em casa”, recomenda. 

Os restaurantes também estão de olho na pegada fit do momento e valorizam a cultura regional. O Pátio Café oferece 5 tipos de tapiocas com sabores tradicionais, como queijo, coco e charque. Porém, a novidade é a de ensopado de caranguejo, que possui 68 calorias, especial para quem quer emagrecer. “É a tapioca light. Trocamos o queijo coalho pela ricota e o ensopado não leva creme de leite. É o segundo prato que mais sai à tarde”, afirma a proprietária do espaço localizado nas Graças, Fátima Assunção.

Mesmo com as vantagens, a tapioca deve ser consumida com moderação. “O alimento é pobre em fibras, proteínas, lipídeos. Além disso, é rico em carboidratos simples e de alto índice glicêmico, ou seja, se transforma em açúcar muito rápido. Para quem quer emagrecer, o problema está no recheio e na quantidade de goma utilizada. Deve-se priorizar recheios proteicos mais magros, como ovo mexido sem gordura,  atum com creme de ricota e acrescentar verduras e temperos naturais”, alerta a nutricionista Mariana Alencar.

E agora, ficou com água na boca? Não deixe de valorizar este produto regional que se tornou o queridinho do País.

JC Economia

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