sábado, 7 de maio de 2016

Vocação eólica

A Casa dos Ventos, empresa que atua no desenvolvimento de projetos de energia eólica no País, promete inaugurar três usinas em breve. Lucas Araripe, um dos diretores da companhia, aposta no crescimento da participação do setor na matriz energética brasileira.

Por Marina Azaredo

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Uma das empresas pioneiras na geração de energia eólica no Brasil, a Casa dos Ventos atua desde 2007 na prospecção, no desenvolvimento e na implantação de usinas e atualmente é dona de um extenso portfolio de projetos instalados e em andamento, todos nos estados do Nordeste brasileiro. Suas plantas totalizam 5300 megawatts de capacidade, o que corresponde a 25% de toda a energia desse tipo viabilizada no País.

Sem se abater com a crise econômica, a empresa prevê inaugurar dois novos projetos ainda este ano, em Pernambuco e no Ceará, e seu maior complexo em 2017, na divisa entre Piauí e Pernambuco, com investimento total de R$3,7 bilhões. “Em 2012, a energia eólica correspondia a 1% da matriz energética nacional. Hoje são 6%, mas acreditamos que pode chegar a 25%. É uma fonte muito barata e que oferece mais segurança do que as hidrelétricas, por exemplo, pois funciona bem mesmo em períodos de seca”, afirma Lucas Araripe, diretor de projetos e novos negócios da companhia. Aqui, ele fala mais sobre o mercado e os planos da Casa dos Ventos.

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1- Qual o potencial do Brasil para geração de energia eólica? Ainda há muito a ser explorado?
Hoje o País tem nove mil megawatts instalados e outros nove mil sendo construídos. Há estudos que afirmam que poderíamos gerar 400 mil megawatts. A energia eólica está evoluindo: as turbinas estão mais altas e com as pás maiores, sendo capazes de produzir cada vez mais. O Brasil conseguiria gerar tudo o que precisa apenas usando a força dos ventos. Mas o ideal é ter um pouco de cada fonte. Se fosse 70% eólica seria uma tragédia, porque ela é sazonal. Hoje esses nove mil megawatts são 6% da matriz energética, mas este número pode chegar a 25%. É um crescimento muito interessante, pois é uma fonte que funciona bem no período de seca, quando as hidrelétricas ficam em risco.

2- Com tanto potencial, por que ainda estamos atrás de outros países, como a Dinamarca, onde 40% da matriz energética vem de turbinas eólicas?
Assim como em outros setores, as coisas aconteceram um pouco mais tarde no Brasil. Mas hoje temos uma cadeia de suprimentos fortes, o BNDES financiando os investimentos e bons players locais e internacionais. Além disso, nós temos muita água, o que nos permitiu desenvolver projetos hidrelétricos. Na Dinamarca não existem grandes rios, então eles precisaram começar a usar o vento. Hoje, por exemplo, a Inglaterra investe em usinas offshore, com turbinas no mar. Aqui, isso ainda deve demorar para acontecer porque temos 400 mil megawatts de potência apenas em terra.

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3- Por que o foco dos negócios da Casa dos Ventos está no Nordeste?
Apesar de haver locais do Sul – principalmente no Rio Grande do Sul – que também têm ventos fortes, propícios para a geração de energia eólica, consideramos o Nordeste melhor porque, ao longo do ano, a média de geração oscila menos. Temos uma produção mais constante e também não há variações na direção do vento, como acontece no Sul. Por esses fatores, a mesma máquina produz mais no Nordeste do que no Sul. Resumidamente, o vento é mais abundante e de melhor qualidade no Nordeste.

4- A Casa dos Ventos está investindo R$3,7 bilhões em três novos projetos. A crise não chegou para o setor?
Esses projetos não foram afetados pela crise porque ela veio depois que os leilões do governo foram realizados. Após ter vencido um leilão, um contrato estabelece qual preço o governo vai pagar pela sua energia e, nesses casos, isso foi feito há dois anos. O que acontece é que a crise impacta negativamente a quantidade de energia que o País vai precisar e como ela será alocada. A demanda passa a ser menor porque o País está crescendo menos. Essa situação pode afetar os leilões que serão realizados daqui para a frente, mas não os contratos que já assinados. De qualquer forma, o governo tem feito um esforço para investir em energia eólica, por ser uma fonte mais limpa e rápida, ecologicamente correta.

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5- Em sua missão, a Casa dos Ventos promete investir em projetos que valorizam o desenvolvimento sustentável. Como isso é feito?
Para dar um exemplo, só nesses novos projetos, R$15 milhões serão destinados a causas sociais. Onde esse recurso será investido é algo que depende muito, mas em geral procuramos ajudar a sanar as principais carências da região. Recentemente, em uma comunidade de Pernambuco, reformamos escolas, construímos quadras e criamos um plano para dar poder às comunidades com as principais lideranças locais. O objetivo é sempre melhorar as condições de vida daquela população. Além disso, quem cede o local para instalação das turbinas fica com
um percentual da energia gerada.

Azul Magazine

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