sábado, 4 de junho de 2016

Bomba do Hemetério faz mobilização para tirar lixo das ruas

Ação coletiva é organizada pela ONG Habitat e vai marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente

Lixo nas áreas de morro que circundam o bairro é ameaça para os moradores / Bobby Fabisack/JC Imagem
Lixo nas áreas de morro que circundam o bairro é ameaça para os moradores
Bobby Fabisack/JC Imagem

Ciara Carvalho


– Vocês jogam lixo no chão?
– Antes, sim. Agora, não mais.
– E quando vocês vão na casa das pessoas ensinando que não é para jogar lixo na rua, o que elas dizem?
– Se eu não jogar, como é que o gari vai ter emprego?

A conversa com o grupo de sete estudantes da Escola Mardôneo de Andrade é uma aula de consciência ambiental com os pés fincados na realidade. Eles sabem que, quando o assunto é manter ruas e canais limpos, discurso e prática não costumam andar juntos. “A maioria tem noção de que não é para jogar lixo. Mas, mesmo assim, joga”, resume Ranon Diniz, 16 anos. 

Neste domingo (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, ele e os colegas estarão na linha de frente de uma missão desafiadora: vão comandar um exército de voluntários para coletar o lixo deixado nas ruas e escadarias da Bomba do Hemetério, bairro da Zona Norte do Recife e berço de importantes expressões da cultura pernambucana. 

A ação, organizada pela ONG Habitat para a Humanidade, quer chamar a atenção para o quanto a mudança de postura vai além de cuidar do meio ambiente. Diz respeito à própria segurança da comunidade. 

A Bomba do Hemetério é cercada de morros e já chorou a morte de moradores que foram soterrados por deslizamentos de barreiras cobertas de lixo.


Mais do que uma ação isolada, para marcar a data internacional, a limpeza coletiva nas ruas do bairro faz parte de uma estratégia focada na prevenção de áreas de risco. Em locais com barreiras e escadarias, o lixo causa peso excessivo nas encostas e obstrui as saídas de água, podendo provocar deslizamentos, sobretudo nos meses de inverno. 

Canais e canaletas poluídos também aumentam o risco de surgimento de doenças, comprometendo a saúde da população.

“Como é o nome desse canal?”, quis saber a reportagem sobre um córrego tomado por garrafas PET, sacolas plásticas e até capacete e carcaça de sofá. “Canal dos germes”, responde, no improviso, o adolescente Pedro Henrique Vilela, 14. 

A sujeira dos canais é um dos principais problemas do bairro. Quando chove muito, os córregos transbordam e o lixo é levado para dentro das casas. Educador social da ONG Habitat, Cláudio Braga coordena o projeto de educação ambiental na Bomba. 

Ele afirma que os estudantes elegeram como preocupação número 1 o acúmulo de lixo nas barreiras e canais. Os jovens foram capacitados e serão agentes multiplicadores. “Eles têm uma consciência muito boa do papel individual de cada um na luta para deixar o bairro mais limpo. É isso que vamos fazer amanhã. Vamos mostrar que todos têm que fazer a sua parte. Se cada um se envolver, o resultado é bom para todos”, afirma Cláudio.

A ação está programada para começar às 8h, no Largo da Bomba. A ONG mobilizou voluntários não só da comunidade. Divididas em cinco grupos, as equipes vão percorrer ruas do bairro e recolher o máximo de lixo possível. Serão distribuídos 200 sacos de 200 litros, o que permitirá, ao final, ter uma certa contagem do montante recolhido. 

Outra preocupação da catação coletiva é identificar focos de dengue. “Durante a coleta, sempre que encontrarmos locais com água parada ou larvas do mosquito Aedes aegypti, vamos promover um apitaço e marcar a área”, explica Mohema Rolim, gerente de programas da ONG Habitat.

Desde 2013 a organização desenvolve projeto de educação ambiental no bairro. E diz que, apesar de ter uma organização forte na área cultural, a comunidade ainda não despertou para essa consciência ecológica. “Sabemos que essa é uma realidade difícil de mudar e acreditamos muito na força da juventude e seu poder multiplicador. 

O que talvez esteja faltando é motivação. E ações coletivas como essa podem ser uma grande oportunidade para despertar este sentimento”, destaca Mohema Rolim, avisando que quem quiser participar da ação na Bomba será muito bem-vindo.


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JC Cidades

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