terça-feira, 7 de junho de 2016

HC faz campanha com médicos para evitar infecção hospitalar no Recife

Ideia é que profissionais não utilizem adornos e jalecos fora do ambiente de trabalho


Conscientização, sensibilização e, principalmente, reeducação dos profissionais de saúde para evitar infecção hospitalar. Esse é o mote da campanha Operação Zero Adorno que acontece a partir desta terça-feira (7), no Hospital das Clínicas da UFPE (HC).


Promovida pela Unidade de Gerência de Riscos Assistenciais (Ugra) do HC em parceria com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e o Serviço de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (Sost) da unidade, a ação envolve a distribuição de panfletos informativos e saquinhos para a guarda dos objetos, visando seu desuso em ambientes hospitalares.

A Operação Zero Adorno obedece à Norma Regulamentadora 32 (NR-32), do Ministério do Trabalho, com o objetivo de dar proteção ao profissional de saúde e dar segurança dentro das unidades de assistência à saúde, para evitar a contaminação e o contato com risco biológico.

Segundo a médica infectologista do HC e chefe do CCIH, Cláudia Vidal, é fundamental a retirada dos adornos em contato com os pacientes. “Não se faz a higienização adequada da superfície corpórea ou das mãos, principal ferramenta para a prevenção de infecções, sem a retirada dos adornos”, explica.

As infecções hospitalares são uma das principais causas de eventos adversos nos pacientes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 100 mil pacientes morrem por ano com infecção hospitalar no Brasil, onde 14% dos pacientes internados são atingidos. Porém, 70% do risco diminui apenas com a lavagem frequente das mãos em âmbito hospitalar. Com isso em mente, a operação também visa incentivar a correta higienização das mãos aos funcionários do HC, que, inclusive, foi propagada no último 5 de maio, Dia Mundial da Higienização das Mãos.

Toda e qualquer infecção é evitável até que se prove o contrário, sendo ela multifatorial. Ou seja, não depende só do profissional de saúde, como também do hospedeiro (paciente) e também do ambiente. A chefe do CCIH, Cláudia, enfatiza que o paciente deve conhecer as boas práticas de prevenção. “O paciente deve estar ciente dos riscos, conhecer a equipe a quem deve se dirigir e, principalmente, participar e ter uma postura ativa, podendo questionar o profissional sobre a sua higienização e sobre todos os procedimentos ao qual vai se submeter. Porém, é preciso maturidade para tal”, conta.

Os adornos, tais como alianças, anéis, pulseiras, correntes e relógios, podem estar contaminados com microrganismos e, assim, transmitir patógenos e atuar como agente contaminante. Para a infectologista, a regulamentação é fundamental em todos os ambientes hospitalares. “Quer seja numa UPA, quer seja num posto de saúde, num ambulatório ou num consultório privado. Onde se presta saúde, essa norma deve ser aplicada”.

Jalecos

Além da adesão ao não uso de adornos, é recomendado não utilizar o jaleco fora do ambiente da assistência, tampouco circular pelo hospital com a vestimenta do bloco cirúrgico e depois retornar para o bloco. “Quando se vai para um restaurante ou para o setor de alimentação do hospital, a bata tem que ser retirada”, afirma a infectologista, ao ressaltar que as roupas que deixam as áreas restritas têm um poder maior de estarem contaminadas. Porém, essa prática nem sempre é cumprida pelos profissionais.

Em um restaurante próximo à área do Hospital das Clínicas, há uma sinalização sobre a importância da retirada dos jalecos ao comer e um cabide para que os mesmos possam ser pendurados. Segundo uma funcionária do restaurante, nem todos os profissionais respeitam a recomendação. Para efeito de conscientização, o acesso à informação torna-se pouco, é preciso que haja uma reeducação em todos os setores da saúde.

Luana Nova, da Folha de Pernambuco

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