segunda-feira, 27 de junho de 2016

Hub da Latam no aguardo do plano político

No cenário político atual, as conversas acontecem com os aliados do governo interino de Temer


Arthur Mota/Arquivo Folha

Em abril de 2015, época em que a Latam apostou nos três estados - Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco - para receber o hub, o frenesi entre os concorrentes era grande. Os governos estaduais correram para reunir o máximo de dados técnicos que embasassem a capacidade dos seus terminais para atrair o empreendimento, com investimentos de R$ 3,9 bilhões, gerando oito mil empregos diretos, e com capacidade para alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) do Recife em US$ 512 milhões por ano.

Pouco mais de um ano depois, o clima é de espera. Todos estão no aguardo da companhia aérea. Há fontes que dizem, em reserva, que o investimento não vai sair. Entretanto, a maior das diferenças entre um ano e outro foi no campo político. Palco de articulação, senadores e deputados conversavam, na ocasião, com os aliados da presidente afastada Dilma Rousseff na tentativa de arrematar o aporte. Agora, o cenário é outro e as conversas estão acontecendo com os aliados do governo interino Michel Temer. O problema é que, na opinião dos especialistas, a atual gestão está focada em arrumar as contas da União.

"Para todos os efeitos, essa é uma decisão empresarial. O capital não tem ideologia partidária, tem dono. Supondo que o Governo Temer não queira beneficiar uma articulação que nasceu com o PT, é importante saber que tipo de impacto tem isso nas gestões aliadas, a exemplo dos governos de Pernambuco (Paulo Câmara) e do Rio Grande do Norte (Robinson Faria), cujos partidos são o PSB e o PSD (respectivamente) ", explica o cientista político e professor da Faculdade Damas, Elton Gomes, frisando que, se assim fizesse, Temer daria um tiro pé. O governador do Ceará, Camilo Santana, é do PT.

Entretanto, a mudança de governo não tem afetado o bastidor de articulação em prol do hub da Latam. Assim que assumiu o Ministério da Defesa, Raul Jungmann tratou de conversar com Paulo Câmara e com o secretário de Turismo do Estado, Felipe Carreras, sobre o assunto. Garantindo, inclusive, a liberação da base aérea para construção de terminais exclusivos no Aeroporto do Recife, caso a Latam decidir por sediar o seu centro de conexões do Nordeste no Aeroporto dos Guararapes/Gilberto Freyre.

O que o professor Gomes levanta, no entanto, é que a pauta da gestão atual do Governo Federal está atrelada à administração dos gastos públicos. "Diante dessa situação, outros assuntos se tornam prioridades, a exemplo do Rio de Janeiro, que, sem capacidade para honrar seus compromissos fiscais, recebeu socorro financeiro recentemente", ressalta. Para Thales Castro, professor da Unicap, como se trata de investimento privado, esse tipo de decisão não dá margem para influência política. "Se tiver, vai ser bastante sutil", pondera, acrescentando que o papel do poder público, nesse caso, pode estar associado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "Que pode atuar nas recomendações logísticas e fornecimento de dados, o que poderá embasar a decisão da companhia aérea", justifica.

Folha de Pernambuco

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