quarta-feira, 22 de junho de 2016

Metrô do Recife tenta resgatar imagem com mutirão de limpeza e campanha educativa

Estação Joana Bezerra, a mais desorganizada do sistema, será alvo de mutirão de limpeza para conscientizar passageiros. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

Estação Joana Bezerra, a mais desorganizada do sistema, será alvo de mutirão de limpeza para conscientizar passageiros. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

O metrô do Recife começou a reagir. A combater a degradação de suas instalações e, principalmente, de sua imagem. E começa enfrentando um dos piores problemas do sistema: o acúmulo de lixo, resultado da invasão do comércio ambulante nas estações e trens. Nesta terça-feira (21/6), lança campanha educativa e realiza um mutirão de limpeza na mais emblemática estação da rede no quesito desordem – Joana Bezerra, localizada na área central do Recife e responsável por integrar as Linhas Centro e Sul. Funcionários estarão, diante dos passageiros, recolhendo o lixo lançado na via, na tentativa de sensibilizá-los a cuidar mais do sistema. Atualmente, em algumas estações, a via do metrô é quase um lixão.
“Nós queremos dar o exemplo. Limpar diante do passageiro para que ele tenha consciência e evite sujar”,
Leonardo Villar Beltrão, superintendente do metrô do Recife

A expectativa é de que seja recolhida uma tonelada de lixo na estação. No fim de maio, durante uma limpeza semelhante, foram quase 900 quilos. O mutirão está marcado para começar às 10h e deverá levar de duas a três horas porque será realizado no intervalo dos trens, que a partir desse horário passam a cada quatro minutos. Ou seja, assim que cada trem sair, o grupo descerá à via para limpar a sujeira deixada pelos passageiros.
Estação Cavaleiro serviu de teste para o mutirão e deu certo
Estação Cavaleiro serviu de teste para o mutirão e deu certo

O chamado mutirão, na verdade, será realizado por quatro duplas de funcionários da limpeza. Na prática, o metrô do Recife ainda não tem recursos para ampliar o quadro de funcionários da limpeza, nem o da segurança. O que se está fazendo é uma rearrumação da casa na busca por mais eficiência. “Nós queremos dar o exemplo. Limpar diante do passageiro para que ele tenha consciência e evite sujar. Também faremos uma campanha educativa, com distribuição de folders”, explica Leonardo Villar Beltrão, superintendente do metrô do Recife. Hoje, serão limpas as estações Joana Bezerra e Afogados. Na sequência, o mutirão irá para a Linha Sul, segundo ramal elétrico do sistema que liga o Recife à Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes.

A estratégia da superintendência do metrô está sendo usar, da melhor forma possível, o que tem na casa. “Nosso quadro de limpeza continua de 261 pessoas, sendo 159 para limpar as estações e 102 para os trens. Antes, a limpeza da via era feita à noite e pelo pessoal que cuidava da estação. Resolvemos mudar. Transferimos o trabalho para os que já cuidavam da via, que têm mais experiência, e o resultado foi positivo”, disse Beltrão.

Os testes começaram na semana passada, nas estações Cavaleiro e Rodoviária, também da Linha Centro, de onde foram recolhidos 22 quilos e 110 quilos de lixo, respectivamente. Mais de 200 novas lixeiras foram espalhadas pelas estações mais movimentadas na tentativa de também sensibilizar os usuários. Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Pernambuco, são gastos R$ 8 milhões com a limpeza do sistema por ano. “Sabemos que a principal porta de entrada da desorganização é a presença do comércio ambulante nas estações e, principalmente, nas plataformas. Ainda não conseguimos contratar mais seguranças, mas fizemos algumas mudanças operacionais e estamos reforçando a presença deles em algumas estações. Joana Bezerra, por exemplo, é uma”, diz Beltrão.
Em Joana Bezerra, o número de seguranças pulou de três para oito e a aparência já é outra. Há menos ambulantes no local. Mas, de fato, o trabalho de resgatar os dois principais símbolos do sistema metroviário – limpeza e segurança – será árduo para o metrô do Recife. Ainda há muitos ambulantes circulando nas estações, plataformas e nos trens. Quando os seguranças estão em grupo conseguem intimidar os ambulantes. Mas há muitas estações sem efetivo. Como o número de funcionários é pouco, eles têm que dar prioridade aos bloqueios e bilheterias. Elevadores e escadas-rolantes quebradas também são outro problema e rendem muitas críticas dos passageiros.
Trabalho será árduo. Ainda há muita sujeira e desordem no sistema
Trabalho será árduo. Ainda há muita sujeira e desordem no sistema

MAIS RECURSOS PARA O METRÔ
Os ventos começaram a soprar a favor do metrô do Recife. É quase certo que o sistema pernambucano receba R$ 61 milhões do governo federal nos próximos meses. O dinheiro já pertencia à CBTU no Recife, mas estava aguardando a liberação da União. O recurso faz parte do PAC e seria usado, inicialmente, para concluir a duplicação da via do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) até o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Mas diante de outras urgências do sistema, será remanejado.

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Leonardo Villar Beltrão explica que, assim que forem liberados, os R$ 61 milhões serão investir na segurança do metrô. “São coisas que o passageiro não vê, mas fundamentais para a segurança operacional. Quero agir de forma preventiva para evitar gastos ainda maiores”, afirma. Pelos planos do superintendente, o dinheiro será usado para recuperar os taludes existentes ao longo da rede elétrica (R$ 6,7 milhões), implantar um CFTV (circuito fechado de TV) nos trens antigos e estações, o que reduzirá o custo com segurança humana (ainda sem valor estimado), instalar máquinas de bilhetagem nas estações, e para recuperar a via como um todo, limpando o mato e consertando as folgas que obrigam o trem a reduzir a velocidade.
“E, o mais importante, serão investidos R$ 9 milhões na compra de peças para os trens. Esse recurso não pode ser usado para custeio do sistema. Terá que ser aplicado em investimentos. Já enviei à CBTU no Rio de Janeiro os nosso planos”, disse Beltrão.
Segurança está mais presente em algumas estações, como Joana Bezerra, mas ainda é insuficiente
Segurança está mais presente em algumas estações, como Joana Bezerra, mas ainda é insuficiente

JC Online

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