segunda-feira, 6 de junho de 2016

Novo recomeço para o Recife Antigo

Imóveis antigos do bairro estão sendo recuperados para abrigar negócios de investidores atraídos pelo Porto Digital e que estão mudando o cenário urbano




Rosália Vasconcelos


Nas ruas estreitas do Bairro do Recife, no perímetro entre a Praça do Arsenal e a Rua da Moeda, a quantidade de tapumes, andaimes e redes verdes de proteção a balançar entre o casario histórico, tem chamado a atenção. Pelo menos 13 imóveis se encontram em projeto de restauração, só nesse trecho. A retomada do uso dos imóveis, a maioria em estado de abandono, pode significar um redesenho para o bairro em termos de oferta de serviço e ocupação de espaços antes vazios. 

A Prefeitura do Recife disse não ter dados sobre a quantidade de projetos para a reforma de imóveis no bairro. Mas, do ano passado para cá, o engenheiro calculista Marcello Sanguinetti chegou a elaborar mais de dez estudos de viabilidade para saber se a estrutura, normalmente em ruínas, tem condições de receber um projeto de revitalização. Praticamente todos os trabalhos estão em andamento ou em fase de conclusão. 

“Muitos investidores têm enxergado as oportunidades de negócio na reforma do casario do Bairro do Recife. As empresas de tecnologia que são atraídas pelo Porto Digital precisam se instalar. Os investidores arrematam os imóveis em leilão para a futura locação do prédio destinado a essas empresas”, explica Sanguinetti. 

Entre os seus recentes projetos, estão dois casarões localizados na Rua Vigário Tenório. O número 171 e o número 177, atualmente em ruínas, foram adquiridos pelo Porto Digital e receberão futuramente empresas da área de tecnologia da informação. O número 177, inclusive, vai da Vigário Tenório até a Rua Tomazina, revitalizando o cenário urbano de duas vias. 

O perfil dos investidores é bastante diversificado. Além do próprio Porto Digital, pessoas ligadas a áreas jurídicas, administrativas e de serviços têm voltado o olhar para a atratividade do bairro e para o casario em processo de degradação. É o caso do investidor Lourenço Oliveira, que arrematou em leilão, no ano passado, o número 50 da Rua do Bom Jesus. 

O imóvel de três andares, que só resistia a carcaça, atualmente está sendo restaurado de acordo com os parâmetros determinados pelo Iphan. No interior, onde só restou a estrutura de ferro, tudo terá que ser refeito. “Vimos a oportunidade de negócio nessa restauração. Dois dos três andares serão alugados a empresas de tecnologia da informação. E o terréo abrigará um comércio, uma atividade de serviço ou um café”, disse Lourenço. 

O diretor executivo do Porto Digital, Leonardo Guimarães, acredita que o momento é bom para quem tem capacidade de investimento na aquisição e recuperação desses imóveis. 

Espaço ainda tem. Dos 409 imóveis inseridos na Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH/09), 247 imóveis estão sendo monitorados pela Defesa Civil municipal, considerados de risco e alto risco. 

Além desses, há os prédios que não apresentam graves danos em sua estrutura, mas permanecem desocupados, imprimindo o esvaziamento urbano do Bairro do Recife, sobretudo no período noturno.
“O Bairro do Recife estava meio perdido nas suas vocações desde os anos 1990. E começou-se a mobilizar um processo para que uma atividade conseguisse recuperar uma área que estava perdida em sua função”, lembra o diretor executivo do Porto Digital. 

Para ele, a chegada do setor de serviços e uma série de iniciativas públicas e privadas acabaram revocacionando uma área que estava exercendo apenas a sua função turística, que não conseguia sustentar o potencial urbanístico da ilha.

DESENVOLVIMENTO
“Com uma indução bem feita e consistente, cabem três coisas no Bairro do Recife. Firmamos a vocação de serviços, além da vocação cultural e turística que sempre existiu. Mas à medida que o tempo for passando, as iniciativas vão se consolidando e acredito que o Bairro do Recife ainda vai comportar uma vocação habitacional convivendo com as suas outras vocações. Acho que é um processo que vai demorar a acontecer, porque muitas pessoas ainda sentem necessidade de carro e a oferta de transporte público ainda é escassa. Mas as oportunidades vão começar a acontecer”, aposta Leonardo Guimarães. 

Diario PE

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