sábado, 11 de junho de 2016

O lixo do caos se transforma em energia em Pernambuco

Resíduos sólidos, que motivaram a intervenção de Gravatá, vão se transformar em 1MW de eletricidade

RAQUEL FREITAS



Clemilson Campos/Arquivo Folha
Projeto vai gerar uma economia média de R$ 2 milhões aos cofres do município

O lixo depositado no aterro sanitário de Gravatá, no Agreste, será usado para gerar energia elétrica. Prevista para ser inaugurada até o fim deste ano, a usina vai utilizar 24 toneladas de resíduos sólidos por dia para gerar 1 Megawatt de potência instalada por mês, suficiente para abastecer 4,8 mil casas de baixa renda, considerando um consumo médio de 150 Quilowatts-hora (kWh). Em operação, a unidade vai gerar uma economia anual média de R$ 2 milhões, mesmo valor desembolsado por ano para custear a eletricidade no município. Referência em países como Alemanha, Fran­ça, Espanha e Holanda, a produção abastecerá o parque de iluminação e os prédios públicos da cidade.

Estruturado a partir de convênio entre a Casa Militar, o Governo do Estado e a Prefeitura de Gravatá, o projeto terá licitação lançada até 27 de julho. De acordo com o engenheiro eletricista da Casa Militar, coronel Milton Sobral, a empresa vencedora será responsável pela construção e manutenção e operação do empreendimento, de modo que, quando estiver erguido, o município use a energia. “O contrato com o ente privado terá o valor mensal de R$ 50 mil. Isso diminuiria o custo com o insumo e com o volume de lixo da cidade, dando situação melhor ao meio ambiente’’, frisou. O gasto com eletricidade chega, atualmente, a ser de pelo menos R$ 270 mil por mês.

Para chegar a esses números, o processo de produção de energia se dará por meio da gaseificação. O lixo coletado nas ruas vai para o aterro. Do aterro, ele será transportado para as câmaras de gaseificação. Nesse espaço, os gases produzidos vão direto para o grupo moto gerador, se transformando em energia. Por fim, essa energia segue para a rede pública. Gravatá recolhe, em média, 60 toneladas por dia de lixo.

Coronel Milton reforçou ainda que, assim que a ideia se tornar realidade, o município será o primeiro do Brasil a transformar lixo em energia, e utilizá-la para consumo público. “É um processo inédito no País. Encontramos, sim, usinas de biogás, mas com uso de madeira como matéria-prima, e não de lixo”, pontuou. O método escolhido pela intervenção estadual é 22 vezes menos poluente que os métodos tradicionais.

Outra vantagem listada pelo gestor de Gravatá, Mário Cavalcanti, é a diminuição do volume de lixo do aterro público, razão que aumentará a sua vida útil. “O problema do lixo em Gravatá motivou oito dos 14 pontos elencados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) para afastar o prefeito e pedir a Intervenção. É nosso dever ajustar a administração desse segmento”, disse, destacando que a cidade servirá de exemplo para o Brasil em boas técnicas de gestão sustentável.

Projetos
Compesa e Camará Shopping, juntos com a Celpe, também executam projetos semelhantes. A Compesa executa central de biogás na Estação de Tratamento de Caruaru. Com a perspectiva de entrar em operação no segundo semestre deste ano, o arquétipo de geração limpa custou R$ 1 milhão e vai economizar cerca de R$ 10 mil ao mês para a companhia. Já o Camará, está gerando 30 kW por meio dos resíduos.

Folha PE

Nenhum comentário:

Postar um comentário