sábado, 25 de junho de 2016

Por que a saída do Reino Unido da UE só tem lado ruim

Steve Forbes


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O voto pela saído do Reino Unido da União Europeia (UE), o “Brexit”, é um desastre político e econômico. Depois dessa queda inicial de ações, haverá uma melhora e surgirá uma conversa de que a separação não foi tão ruim assim. Não acredite nisso.
Esse voto irá intensificar as forças centrifugas que estão dividindo da União Europeia. Toda a confiança da diplomacia pós-Segunda Guerra tem sido em trazer a união entre as nações europeias para evitar os desastres que assolaram o continente e o mundo na primeira metade do Século 20. A UE cometeu uma série de grandes erros, em especial ao criar uma grande e corrupta burocracia que se tornou uma avalanche de regulamentações triviais.
Mesmo com todas as suas falhas, o bloco teve um papel crucial na transformação da Espanha e de Portugal de ditaduras a democracias liberais, como são hoje. Ela também fez isso com países comunistas da Europa Central e Oriental. Eles fizeram grandes reformas, que iam contra interesses domésticos, para entrar na UE.
Não é à toa que Vladimir Putin odeie a UE e ficou horrorizado que a Ucrânia queria entrar. Ele quer que a Rússia domine a Europa – e o bloco atrapalha seus planos.

Dois erros existenciais trouxeram a Europa para esta crise:

O primeiro foi econômico. Os políticos europeus se recusaram a fazer necessárias mudanças estruturais para fazer suas economias voltarem a crescer: cortar impostos; flexibilizar regulações sufocantes, especialmente das leis trabalhistas; e reduzir o tamanho dos setores públicos.
Quando a crise econômica atingiu Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, a resposta da Alemanha e da UE foi demandar austeridade, mas foi na linha pro-governo-forte e contra-setor-privado. Os impostos subiram e alguns serviços públicos foram cortados, mas o governo economizou! Não poderia haver fórmula melhor para estagnação e recuperação amênica. A Irlanda, ainda bem, recusou-se a aumentar seus baixos impostos corporativos de 12,5% e se recuperou muito mais rápido do que os outros.
O segundo erro, claro, foi a imigração. A decisão impetuosa de Angela Merkel de deixar centenas de milhares de refugiados do Oriente Médio entrarem em um continente que mal havia lidado com a integração de antigos imigrantes (criando claramente áreas autogovernáveis que se tornaram o paraíso para os terroristas) foi a gota d’água.

Estes dois erros escandalosos já trouxeram o surgimento de partidos antiliberais. Até os políticos alemães estão preocupados. A figura política mais popular por lá pertence do Partido Verde. A segunda é o Ministro do Exterior, um socialista, que diz que a Alemanha deve se aproximar da Rússia.
A desordem da Europa pode até levar a Rússia a fazer movimentos para subjugar os Países Bálticos, como Lituânia, Letônia e Estônia, sob a desculpa de proteger as minorias de população russa (só para registrar, a maioria dessas pessoas não quer fazer parte da Rússia de Putin). Moscou está engajado em uma série de exercícios militares ameaçadores nessa área.

Infelizmente, no caso de uma eventualidade como esta, a resposta do presidente Obama seria ineficiente. Esses países são parte da OTAN, a aliança mais bem-sucedida do mundo livre na história, e um movimento bem-sucedido de Putin poderia marcar a morte dela.
O “Brexit” também pode derrubar o próprio Reino unido. A Escócia votou em peso para permanecer. Agora, os nacionalistas escoceses já estão lutando para outro referendo de independência.
A incerteza criada pelo “Brexit” irá machucar economicamente. Novos tratados irão demorar para funcionar e as negociação deste divórcio serão extremamente controversas.

Outro resultado maligno da saída da Grã-Bretanha cairá sobre Gibraltar. Seu status como território britânico estava fora do papo porque tanto o Reino Unido quanto a Espanha eram parte da UE. Agora, o governo espanhol pode decidir dar uma de nacionalista e conseguir o controle de volta à Espanha.

Qual deveria ser a resposta dos Estados Unidos?

Nós devemos deixar claro para Moscou que deve esquecer qualquer movimento sobre os Países Bálticos ao enviar brigadas militares para a região. Enquanto estivermos lá, deveríamos mandar outra para a Polônia.
Também deveríamos nos oferecer para negociar a entrada da Grã-Bretanha no NAFTA, uma zone de comércio verdadeiramente livre, sem a burocracia da UE.
Nosso próximo presidente deveria incitar Londres a ser mais pró-crescimento na parte de impostos. O Reino Unido vai precisar.

Forbes

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